26 DE AGOSTO – EVOCANDO CARLOS PAIÃO – 1 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Esta missiva era para ter sido expedida ontem, mas um percalço acabou por fazer gorar o intento. Expeço-a agoraImagem1 com o meu pedido de desculpas pelo atraso.

Para ouvir as canções de Carlos Paião, há que aceder à página

 http://nossaradio.blogspot.pt/2013/08/evocando-carlos-paiao.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Completam-se hoje vinte e cinco anos sobre a morte (prematura) do autor, compositor e intérprete Carlos Paião. Embora não se contando entre os nomes que mais cultivo no universo da música portuguesa, reconheço-lhe talento e uma invulgar capacidade inventiva, mormente nos jogos de palavras com que caricatura comportamentos, atitudes e mentalidades. Em singela evocação do artista, aqui apresento alguns espécimes do seu repertório que aprecio e que poderiam muito bem passar, de vez em quando, na Antena 1.PlaybackLetra e música: Carlos PaiãoIntérprete: Carlos Paião* (in single “Play Back”, Valentim de Carvalho, 1981; 2LP/CD “O Melhor de Carlos Paião”, EMI-VC, 1991; 2CD “Letra e Música: 15 Anos Depois”: CD1, EMI-VC, 2003; “Perfil”, Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; 2CD “Letra e Música: 25 Anos Depois”: CD1, EMI, 2013)

Podes não saber cantar,Nem sequer assobiar,Com certeza que não vais desafinarEm playback, em playback, em playback!Só precisas de acertar,Não tem nada que enganar,E, assim mesmo, sem cantar vais encantarEm playback, em playback, em playback!Põe o microfone à frente,Muito disfarçadamente,Vai sorrindo, que é p’rá genteLá presenteNão notar!…Em playback tu és alguém,Mesmo afónico cantas bem…Em playback,A fazer playbackE viva o playback!Hás-de sempre cantar…Em playback, respirar p’ra quê?Quem não sabe também não vê…Em playback,A fazer playbackE viva o playback!Dá p’ra toda uma soirée!…Podes não saber cantar,Nem sequer assobiar,Com certeza que não vais desafinarEm playback, em playback, em playback!Só precisas de acertar,Não tem nada que enganar,E, assim mesmo, sem cantar vais encantarEm playback, em playback, em playback!Abre a boca, fecha a boca,Não te enganes, não te esganes,Vais ter uma apoteose,Põe-te em poseP’ra agradar!…Em playback é que tu és bom,A cantar sem fugir do tom…Em playback,A fazer playbackE viva o playback!Hás-de sempre cantar…Com playback até pedem bis:Mas, decerto, dirás feliz…Em playback,A fazer playbackE viva o playback!Agradeces e sorris!…Podes não saber cantar,Nem sequer assobiar,Com certeza que não vais desafinarEm playback, em playback, em playback!Só precisas de acertar,Não tem nada que enganar,E, assim mesmo, sem cantar vais encantarEm playback, em playback, em playback!Em playback, em playback, em playback!Em playback, em playback, em playback!* Arranjo e direcção de orquestra e coro – Shegundo GalarzaProdução – Mário MartinsTécnico de som – Hugo Ribeiro

Pó-de-Arroz

Letra e música: Carlos Paião
Intérprete: Carlos Paião* (in single “Pó de Arroz / Ga-Gago”, Valentim de Carvalho, 1981; 2LP/CD “O Melhor de Carlos Paião”, EMI-VC, 1991; 2CD “Letra e Música: 15 Anos Depois”: CD2, EMI-VC, 2003; “Perfil”, Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; 2CD “Letra e Música: 25 Anos Depois”: CD2, EMI, 2013)

Pó-de-arroz
Na face das pequenas
Será beleza apenas?
Só uma “corzinha” com

Pó-de-arroz
Rosa é, mulher o pôs
E o homem vai nas cenas…
Eva e Adão outra vez!

É como enfeitar um embrulho,
Arroz com gorgulho
Talvez…

Pó-de-arroz
Do teu arrozal,
Esse pó que é fatal
És a tal
Que me encanta com
Pó-de-arroz…
Não faz nenhum mal,
É de arroz integral…
Infernal,
Quando chegas com
Todo o teu arroz,
Todo o teu arroz…

[instrumental]

Pó-de-arroz
Tens hoje, só p’ra mim,
Pós de perlimpimpim,
E és um arroz-doce, assim!

Pode ser
Um canto de sereia,
Serei a tua teia
E tu serás meu algoz!…

Mas, quando te vais alindar,
Alindada, vens dar-me
O arroz…

Pó-de-arroz
Do teu arrozal,
Esse pó que é fatal
És a tal
Que me encanta com
Pó-de-arroz…
Não faz nenhum mal,
É de arroz integral…
Infernal,
Quando chegas com
Todo o teu arroz,
Todo o teu arroz…

Pó-de-arroz
Do teu arrozal,
Esse pó que é fatal
És a tal
Que me encanta com
Pó-de-arroz…
Não faz nenhum mal,
É de arroz integral…
Infernal,
Quando chegas com
Pó-de-arroz
Do teu arrozal,
Esse pó que é fatal
És a tal
Que me encanta com
Pó-de-arroz…

* Arranjo e direcção de orquestra e coro – Shegundo Galarza
Produção – Mário Martins
Técnico de som – Hugo Ribeiro

Eu Não Sou Poeta

Letra e música: Carlos Paião
Intérprete: Carlos Paião* (in single “‘Souvenir’ de Portugal / Eu Não Sou Poeta”, Valentim de Carvalho, 1981; 2LP/CD “O Melhor de Carlos Paião”, EMI-VC, 1991; 2CD “Letra e Música: 15 Anos Depois”: CD1, EMI-VC, 2003; “Perfil”, Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; 2CD “Letra e Música: 25 Anos Depois”: CD1, EMI, 2013)

Quem me dera saber
Fazer versos, rimar
Para um dia escrever
Que tu és a mulher que eu quero amar

Quem me dera fazer poesia
Inspirada na minha paixão
Inventar sofrimento, agonia,
Um amor de Platão

Quem me dera chamar-te de musa
Em sonetos e coisas que tais
Numa escrita solene e confusa
Com palavras a mais

Eu não sou poeta, não
Não sou poeta
Nunca fui um grande sofredor
Eu não sou poeta, não
Não sou poeta
Não te sei falar de amor
[bis]

Mas se eu fosse poeta dotado
Ou se ao menos julgasse que sim
Falaria com um ar afectado
Aprenderia latim

Só faria canções eruditas
E se as ditas ninguém entendesse
Rematava com frases bonitas
P’ró que desse e viesse

Eu não sou poeta, não
Não sou poeta
Nunca fui um grande sofredor
Eu não sou poeta, não
Não sou poeta
Não te sei falar de amor
[3x]

* Arranjo e direcção – Shegundo Galarza
Produção – Mário Martins
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos
Técnico de som – Hugo Ribeiro

(Continua)

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