A GUERRA DO GÁS – por Octopus

O gás representa mais   de um quarto do consumo energético da Europa e a tendência é para aumentar   rapidamente. A visualização, neste caso dos gasodutos, explica muitas das   guerras e tensões no Médio Oriente.

O continente europeu   importa 50% do gás que consome, sendo a Rússia, a Argélia e o Qatar os   principais fornecedores. Um quarto desse gás vem da Rússia, através de uma   única empresa: Gazprom.

Para contornar a   passagem actual do gás pela Ucrânia, a Bielorússia e a Polónia, a Rússia   decidiu criar dois gasodutos, a norte o “North Stream” e a sul o   “South   Stream“,   como podemos observar, a vermelho, no mapa seguinte:

O “North Stream” é um projecto   caro, dado que deverá passar por baixo do mar Báltico para atingir   directamente a Alemanha. Este projecto é financiado a 51% pela Gazprom, mas   também pela Alemanha, através da E. On e BASF com 20% cada.

O “South Stream” deverá   atravessar a Bulgária, a Hungria e a Sérvia e transportar 63 mil milhões de   m3 de gás por ano. A Servia, aliado histórico da Rússia ira ter um papel   determinante, com a construção de um depósito de 300 milhões de m3 de gás   para eventuais falhas de abastecimento. Este projecto é co-financiado pela   italiana ENI.

Este último projecto é   um concorrente directo, como podemos ver do projecto europeu de “Nabucco“, a vermelho no   mapa seguinte:

O gás proveniente do   Azerbaijão deveria chegar até à Hungria, onde depois, seria distribuído na   Europa ocidental.

No entanto, o   consorcio Shah Deniz, do Azerbaijão, optou recentemente por um projecto   alternativo: o “Trans-Adriatic Pipeline” (TAP), no mapa seguinte a laranja.

O projecto TAP tem a   vantagem de ter uma extensão com menos 400 km de que o gasoduto de Nabucco.   De qualquer maneira, apesar de concurente do projecto russo, TAP ou Nabucco   terá um custo duas vezes superior ao de “South Stream” e só estará   concluído em 2018 contra 2015 para o russo.

Existe um outro   projecto de abastecimento europeu com o gás proveniente do Qatar, terceira maior   reserva do mundo, este deverá ser encaminhado através do sul do Iraque, da   Jordânia e da Síria para chegar à Turquia. Aliás, a Turquia já tem essa parte   do gasoduto pronta.

A Síria é um obstáculo   a esse projecto, compreende-se melhor a participação activa da Turquia e da   Jordânia na queda do presidente Sírio.

Existe, finalmente, um   projecto para abastecer a Europa com gás proveniente do Irão com um gasoduto   que atravessa o Iraque e a Síria, onde sairia em direcção aos vários países   europeus: o “Islamic Gas Pipeline“:

O projecto de um eixo   Irão-Iraque-Síria não é bem visto pelos americanos e seus aliados europeus,   mas não projedica o projecto russo e pelo contrario compete com os projectos   americanos e europeus. Este facto explica, em parte, a instabilidade criada   pelos Estados Unidos na Síria, que tem neste quadro uma importância   estratégica fundamental.

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