EDITORIAL – DE NOVO À BEIRA DO ABISMO

Imagem2Tínhamos agendado para hoje um Diário de Bordo centrado no debate que, sobre a poesia, sobre a sua origem, a sua natureza, o seu papel no seio de uma comunidade, estamos a levar a cabo. Não queríamos insistir na questão da Síria, sobre a qual muitos dos nossos colaboradores se têm debruçado e que neste espaço, no editorial, tem sido abordada. Mas o tema é incontornável – Em vésperas de determinar um ataque à Síria, com base numa antecipada  presunção de culpa do governo de Bashar al-Assad, Barack Obama, no aniversário do discurso I Have a Dream, afirmou: “Não somos reféns dos erros da história”. São lá agora!…

Referindo apenas o erro cometido com a invasão do Iraque, no qual, sob o pretexto de democratizar a vida do país, se derrubou um ditador provocando milhares de mortos, destruição… ou seja, pior o remédio que a doença. Recordando um exemplo que nos diz respeito, os Estados Unidos puderam aceitar que, na Península Ibérica, duas ditaduras fascistas sobreviveram três décadas à derrota das potências do Eixo – prendendo, torturando, matando, os cidadãos que se lhes opunham; oprimindo e assassinando em massa os povos das colónias. Nos massacres de Tete, no ano de 1972, morreram menos pessoas do que na Síria? Os americanos não intervieram para repor a democracia, nem nos dois estados peninsulares, nem nas suas colónias. E não tinham nada que intervir. Competia a portugueses, moçambicanos, angolanos, organizarem-se e libertar-se. O que fizeram. Quem dá aos Estados Unidos e à sua ridícula procissão de mordomos o direito de «libertar» seja quem for?

Num discurso a um grupo de veteranos em Houston, o vice-presidente Joe Biden afirmou que o regime de Bashar al-Assad foi responsável pelo ataque que matou mais de 350 pessoas nos arredores de Damasco. Responsáveis da Administração Obama dizem que os serviços secretos dos Estados Unidos estabeleceram a sequência de acontecimentos que conduziu ao ataque químico pelas forças de Assad e vão tornar público um relatório nos próximos dias. Na Europa, o governo da Grã-Bretanha tem feito eco das intenções belicistas, em Portugal, Passos Coelho, diz que o governo está atento e o Partido Socialista apenas aguarda as conclusões do inquérito da ONU. Neste partido, teoricamente de esquerda, a voz de Alfredo Barroso ergue-se – se o PS apoiar a invasão da Síria, abandonará o partido.

Nós bem queríamos falar de poesia, do seu papel no seio de uma comunidade…

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