POESIA AO AMANHECER – 278- por Manuel Simões

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TERESA RITA LOPES

( 1937 )

PALAVRAS  PLANTAS  PÁSSAROS

Há dias em que as palavras brotam silenciosamente

por todos os ramos

por todas as frestas

dos dedos e das pedras que cobrem o humilde chão

que somos.

Deixo-as brotar e crescer.

Às vezes

lá encaminho as mais trepadeiras

com o fio

ou a cana do poema.

Outras vezes aparecem

em revoadas como os pássaros.

Fecho os olhos.

Deixo-as poisar-me nos ombros

E nem sequer

faço o gesto

para as não espantar

de empunhar a caneta

para as fixar na página.

Nunca gostei de imobilizar borboletas  com alfinetes

em páginas de álbum!

(de “Jogos, Versos e Redacções”)

Ensaísta, poetisa e dramaturga. Viveu treze anos em Paris (1963-1976). Obra poética: “Os Dedos os Dias as Palavras” (1987), “Por Assim Dizer” (1994), “Cicatriz” (1996), “Afectos” (2000), “Jogos, Versos e Redacções” (2001), “A Nova Descoberta de Timor” (2002), “A Fímbria da Fala” (2002).

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