Li em tempos, já não sei onde, que George Bernard Shaw, polémico e dramaturgo, autor de comédias satíricas, de espírito irreverente e inconformista, que deu grande enfase ao poder da ironia, conheceu numa viagem uma célebre atriz e perguntou-lhe se estaria disposta a dormir com ele por um milhão de dólares. Ela disse que sim. E ele perguntou-lhe? E por dez dólares? Ao que ela respondeu com agressividade: – quem pensa que eu sou?! Bernard Shaw, respondeu: – quem você é já nós sabemos, agora estamos só a negociar o preço!
Se a pessoa desce a um nível tão baixo, porque se avalia a um nível tão alto? O ser humano não parece aperceber-se de que aquilo que o define são o que os seus atos traduzem e não aquilo que diz que é.
É verdade que a pessoa não consegue ser sempre lógica, nem ser um modelo de virtudes. Se assim fosse era capaz de se tornar num autentico chato. Também não deixa de ser verdade que a vida por vezes obriga a que nem sempre se siga aquilo que se defende. O dia a dia está cheio de casos de pessoas bem sucedidas que tiveram necessidade de se adaptar ás circunstancias . Os dinossauros não se adaptaram!
As espécies que sobrevivem, não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, mas as que conseguem ter uma maior abertura à mudança.
Mas uma coisa é a capacidade de adaptação às circunstâncias , a habilidade para não olhar muito para trás, nem de se agarrar ao que se fez e ao que se foi. Mas daí a deitar fora princípios que nortearam a vida, por uma promoção, por dinheiro, por um cargo político, não parece ser de louvar, pois a pessoa tem que se orgulhar do seu caráter.
Mas de modo algum se pretende retirar a liberdade à atriz referida no primeiro parágrafo de dormir com quem quiser, o que é desprezível é o ela dizer “quem pensa que sou”?! Como ela há gente que se vende por muito ou pouco e quando é questionada sobre a ética também também responde “por quem me toma”.

