EDITORIAL – VAMOS COMEMORAR A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Temos uma maneira de avaliar e de interpretar o conceito de lusofonia muito distante das posições governamentais Imagem2e dos discursos das academias. Não a vemos como um centro de negócios ou sequer como um elemento unificador do idioma – as unificações são redutoras, há sempre algo que se sacrifica. A unicidade do português não faz parte dos nossos objectivos, pois consideramos a diversidade uma mais-valia a preservar. É natural que o mesmo idioma, em diferentes pontos do planeta, seja utilizado de formas diferentes. Para nós, a lusofonia, constitui apenas um ponto de encontro de muitos milhões de seres humanos espalhados por todo o planeta e que se entendem, pois falam o mesmo idioma.

É nessa perspectiva que avançamos para a comemoração do Dia do Brasil. Será a mesma com que no próximo ano dedicaremos edições a Cabo Verde, a Angola, Moçambique… Começaremos hoje a meio da tarde com artigos de argonautas portugueses . Não há posts sobre o Acordo Ortográfico – é um tema que nos parece já suficientemente discutido. A maior parte dos argonautas é contra a sua aplicação, alguns defendem o documento, mas os seus argumentos parecem mais de natureza política do que de índole filológica. Não defendemos nem atacamos – não acreditamos que a sua aplicação corrompa a língua . O português é uma língua forte – no Brasil, o primeiro estado a separar-se e a seguir o seu destino, fala-se português e, quase duzentos anos após a independência, entendemo-nos perfeitamente. Em Malaca onde apenas estivemos cerca de 130 anos (de 1512 a 1641), ainda hoje, três séculos e meio após termos deixado o território, persiste um dialecto, a chamada «língua cristã», o português ou crioulo de Malaca, ou o papiá. Uma língua com esta força não se atemoriza facilmente.

A Viagem dos Argonautas quer vir a ser, ainda que numa modesta dimensão, um dos elos de ligação entre Portugal e as demais nações onde o português de fala. Não um forum, mas uma pequena mesa de café onde nos encontramos e trocamos ideias. Falando a mesma língua.

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