CRÓNICA DE FARO Nº 4. Por JÚLIO MARQUES MOTA

Pela mão de Spartacus, de Hegel e de Marx, uma viagem ao mundo infernal da precariedade, em Faro, em Portugal, na Europa

PARTE VI
(CONTINUAÇÃO)

A primeira coisa a reconhecer é que o final do século XIX foi verdadeiramente uma época de volatilidade económica relativamente alta. Enquanto as taxas de crescimento do PIB em média eram razoáveis, estas flutuaram muito (visualizar figuras I e II).

Figura I

4 - figura I

Figura II

4 - figura II

O fardo de ajustar essas flutuações incidiu basicamente sobre o trabalho, e assim as taxas de desemprego também oscilaram fortemente em torno de um baixo nível médio (observar figuras III e IV).

 Figura III

4 - figura III

Figura IV

 4 - figura IV

Em parte, isso foi devido ao regime monetário posto em prática naqueles tempos, o padrão-ouro, que não permitiu muito espaço para as políticas de estabilização poderem ser conduzidas pelos bancos centrais (ou a não-existência de um banco central nos EUA), e assim poderíamos ser capazes de evitar alguma dessa verdadeira volatilidade no futuro.

Dito isto, alguma dessa volatilidade foi devida à ênfase na estabilidade dos preços e na disciplina orçamental, o que se está a aplicar igualmente no nosso actual regime monetário. E alguma dessa volatilidade era devida à incidência de choques económicos reais, o que também se aplica à nossa situação actual (o início de 2000 constitui uma feliz pausa). Como pode ser aqui visto, a taxa média de crescimento da principal economia (RU então, os EUA agora) não foi espectacularmente alta, enquanto a taxa de crescimento médio dos principais países concorrentes e emergentes (os EUA então e a China agora) era mantida a uma taxa elevada, embora muito variável.

Dados estes factores e a mudança nos pesos relativos dos países na economia mundial, do Ocidente para Oriente, haverá uma divisa global que se tornará a divisa principal mas, não haverá uma só moeda como moeda de reserva dominante – tal como então existiam e coexistiam a libra esterlina, dólar e Franco, cada um com seus próprios aderentes no período 1870-1910. Tal como acontece com o padrão-ouro, haverá suspensões temporárias ou depreciações por países que enfrentam ajustamentos extremamente fortes a curto prazo. Mas a re-introdução de normas e políticas monetárias aprovadas será claramente demarcada e imposta pelos credores dos países soberanos. A credibilidade das políticas em comparação com outras autoridades monetárias e com outras moedas e economias será uma primeira e maior preocupação na determinação das políticas a seguir.

(continua)

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Para ver a Parte V desta crónica do argonauta Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/09/05/cronica-de-faro-no-4-por-julio-marques-mota-5/

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