Iniciamos dentro de poucas horas (logo após a meia-noite) a celebração do Dia do Brasil – o 7 de Setembro de 1822, o dia do Grito do Ipiraanga. Não se espere um tom jubilatório generalizado – os nossos (numerosos) leitores brasileiros sabem que criticamos com rigor, mas sem contemplações, um governo português que, embora resultado da vontade popular expressa nas urnas em 2011, traiu todas as promessas que fez ao longo da campanha, promessas que estão na base da eleição. Dizemos «com rigor» porque, embora considerando o executivo de Passos Coelho um bando de incompetentes, oportunistas e corruptos, nos recusamos a ser eco de boatos – só afirmamos quando estamos seguros do que dizemos.
Não haveria motivo para abordarmos o Brasil numa perspectiva meramente festiva. Talvez Dilma Roussef não mereça acusações tão fortes como as que os governantes portugueses justificam. Enfrentando problemas bem mais graves, quer em grau, quer em dimensão, tenta resolvê-los usando os mecanismos constitucionais e sem romper com o sistema, com o modelo de sociedade em que o Brasil se insere. Essa permanente tensão entre o desejável e o possível, provoca contradições insanáveis no seu discurso e, maiores ainda, na sua praxis.
Até ao fim do dia de hoje e a partir de agora, apresentamos uma série de perspectivas, traçadas por portugueses, a partir de Portugal, sobre o Brasil. No final deste painel, passamos a roda do leme ao argonauta brasileiro Sílvio Castro. Ele conduzirá a Argos durante 24 horas – a tripulação integrará maioritariamente brasileiros, mas também portugueses, italianos, catalães, espanhóis…
O velo de ouro que a nossa barca vai procurar, chama-se Brasil.
*Feliz confraternizao -Maria *