Pentacórdio a partir de Sexta-feira, 6 de Setembro

por Rui Oliveira

 

 

maria matos two maybe more

 

   Desta Sexta-feira 6 de Setembro até Domingo 8 (e de 12 a 14/9), às 21h30, estará em palco nova criação de Marco Martins para o Teatro Maria Matos, a qual parte do encontro dos coreógrafos Sofia Dias & Vítor Roriz com o Coro Gulbenkian.

   Intitula-se “Two Maybe More”.

   Como descreve o programa, “colaborando com o compositor Pedro Moreira (uma encomenda da Fundação Gulbenkian) e o escritor Gonçalo M. Tavares, estas duas entidades saem da sua zona de conforto para disputar a terra de ninguém entre as suas práticas distintas, jogando os pequenos gestos quotidianos dos coreógrafos contra os grandes movimentos do coro. Entre harmonia e tensão, encontramo-nos de repente numa das disputas mais veementes da actualidade: a disputa entre o individual e o comum. Ao Coro Gulbenkian é reservado um lugar pouco habitual, envolvendo as vozes corais nos movimentos coreográficos, cuja combinação sugere a confrontação da dinâmica de casal com o mundo exterior”.2 Marco Martins 018red

   Marco Martins (foto junto) movimenta-se entre o cinema e o teatro. Conhecido por filmes como “Alice” e “Como desenhar um círculo perfeito”, também é autor de uma série de espectáculos assinaláveis, entre os quais “Estaleiros”, criado com um grupo de 16 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, e “Rosencrantz & Guildenstern estão mortos”, já exibido no Maria Matos.

   “A vida dentro de uma caixa é melhor que nenhuma vida”, dizia-se em “Rosencrantz & Guildenstern Estão Mortos”, a peça de Tom Stoppard. Neste projecto que se segue, a caixa passa a protagonista, alegoria para a selva urbana que se vive nas metrópoles. “A peça é uma reflexão contemporânea sobre a vida nas cidades, onde coexistem constantes sincronismos, ligações, rupturas e solidão”, explica o cineasta transformado em encenador.

   A primeira cena acompanha uma caixa, o espaço privado de cada habitante da cidade. Os inquilinos esbarram uns nos outros, entre a estranheza e a comunhão. “Existe um tema eterno, o combate da tua identidade com o espaço onde te integras … Este espaço de combate é habitado pela dupla de coreógrafos Sofia Dias e Vítor Roriz”, assim descreve Marco Martins.

maria matos two maybe more 2 

   Sob a sua direcção artística, a cocriação e interpretação de Sofia Dias e Vítor Roriz articula-se com os membros do Coro Gulbenkian  (Ana Urbano, Francisca Branco, Marta Queirós, Sara Marques, Jaime Bacharel, José Bruto da Costa, Nuno Fidalgo, Sérgio Fontão) e do Circular Ensemble/ES ML  (Dina Hernandez, Cláudio Silva, João Capinha, Paulo Gaspar).

   A cenografia é de Artur Pinheiro, o desenho de luz de Nuno Meira e os figurinos de Isabel Carmona.

 

 

gobskitchen

 

   Também na Sexta-feira, 6 de Setembro (e no Sábado 7), no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, numa representação em inglês, sem legendas, o colectivo anglo-alemão Gob Squad, fundado em 1994, “um monstro de sete cabeças (como o definem), com uma identidade esquizofrénica e personalidade múltipla hermafrodita, binacional e bilingue (tanto uma família feita de retalhos como uma utopia social)”, que trabalha na intersecção do teatro, da arte, dos media e da vida real, apresenta ao público português “Gob Squad’s Kitchen : You’ve Never Had It So Good”, ou seja  “A Cozinha de Gob Squad (Nunca Foi Tão Bom)”.

 

   Sinopse possível : Estamos em 1965 e está tudo prestes a acontecer. Pop, subcultura, superestrelas, feminismo, drogas, luzes fortes e sexo estão prestes a abanar o mundo como nunca. Gob Squad pega na mão do próprio Rei da Pop, Andy Warhol, e faz uma viagem até aos cinemas underground de Nova Iorque, onde tudo começou.

   O ponto de partida é “Kitchen”, um dos filmes de Warhol. Não acontece grande coisa no filme original, mas ele de alguma forma condensa a energia experimental e hedonística dos anos 60. Gob Squad dedica-se a reconstituir “Kitchen” e outros filmes de Warhol como “Eat, Sleep” e “Screen Test”. Como é que podem acertar no ponto certo? Como é que hão de saber se estiverem a ir mal? Como é que as pessoas dançavam em 1965? De que é que falavam? O feminismo já tinha acontecido ou ainda estava por começar? Gob Squad’s Kitchen transforma-se numa viagem ao passado e de volta ao futuro. Gobsquad_114RUma busca do original, do autêntico, do aqui e agora, do verdadeiro eu, do verdadeiro tu, das profundidades escondidas por baixo das superfícies reluzentes da vida moderna.

 

   No palco, a criação e interpretação são de Johanna Freiburg, Berit Stumpf, Sarah Thom, Bastian Trost, Laura Tonke, Sean Patten, Simon Will, Sharon Smith, Nina Tecklenburg, com vídeo de Miles Chalcraft (estes últimos na foto) e Martin Cooper.

   O vídeo abaixo (que pode chocar alguns) é a apresentação feita da peça no Public Theatre em Janeiro de 2012 :

 

 

 

                               orq.gulbenkian           samuel barsegian viola 

   Quase a terminar, demos notícia que a temporada clássica da Fundação Calouste Gulbenkian, por ter o seu Grande Auditório em obras de melhoramento, sai da capital para estrear nesta Sexta-feira, 6 de Setembro, no Teatro Municipal Joaquim Benite (em Almada), às 21h30, onde a Orquestra Gulbenkian actuará sob a direcção do maestro arménio Samuel Barsegian (e também intérprete de viola).

   Será a sua estreia na condução da Orquestra, para o que escolheu um repertório que inclui uma das obras mais emblemáticas da música portuguesa para cordas, a Sinfonietta de Joly Braga Santos.

   Ei-lo :

 

      Joly Braga Santos                      Sinfonietta para orquestra de cordas

      Samuel Barber                           Adagio para cordas

      Piotr Ilitch Tchaikovsky            Serenata para Cordas em Dó maior, op. 48

      Wolfgang Amadeus Mozart    Sinfonia nº29, em Lá maior, K. 201

 

   Na ausência de registo apresentável da Sinfonietta de Joly Braga Santos, eis como a Camerata Alma Mater dirigida pelo maestro Pedro Neves interpreta o seu Concerto para Orquestra de Cordas no seu 1º andamento Largamente maestoso – Allegro  [ o 2º e 3º encontram-se aqui e aqui ] :

 

 

 

 logo

   Por último, não podemos deixar de assinalar (e louvar) a iniciativa da criação e actuação da Orquestra XXI que se propõe reunir uma grande parte dos jovens músicos portugueses residentes fora do país (e nunca, como hoje, houve tantos e tão bons músicos portugueses espalhados pelo mundo, com casos de sucesso, em alguns dos melhores conservatórios e orquestras internacionais !…) para, numa semana, se apresentar em conjunto, numa digressão por Portugal.

   Começou em Braga no Mosteiro de Tibães, passou ao Porto na Sala Suggia da Casa da Música, seguiu para o Mosteiro da Batalha para se concluir neste Sábado, 8 de Setembro, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h.

   Dirigida pelo também “estrangeirado” maestro Dinis Sousa, à Orquestra XXI vai juntar-se a soprano Susana Gaspar, desde 2011 jovem artista residente na Royal Opera House, num programa que combina música portuguesa com compositores de referência do grande repertório.

   Assim no CCB ouvir-se-á de :

 

      Manuel Durão                   Plataforma  (nova obra)

      Fernando Lopes-Graça    Poema de Dezembro

      Gustav Mahler                  Rückert-Lieder

      Johannes Brahms             Sinfonia n.º 1, op. 68

 

   Ouça-se, como testemunho dessa qualidade “nacional”, a prestação de Susana Gaspar no “BBC Cardiff Singer of the World 2013”, cantando uma ária do “Romeu e Julieta” de Bellini, outra de Debussy e, por fim, uma de “I Pagliacci” de Leoncavallo :

 

 

E é tudo por hoje, caros leitores.

 

 

 

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