DILMA ROUSSEF, primeira mulher Presidente do Brasil – por Sílvio Castro

 A mulher brasileira  conquistou o direito de voto, de eleger e de ser eleita, pelo Novo Código Eleitoral de 1932. Tratava-se deImagem1 (3) um dos mais revolucionários atos daquela primeira fase da geral institucionalização do País, completada com as livres eleições de 1933. Passaram-se, desta maneira, 78 anos para que o povo brasileiro elegesse pela primeira vez uma mulher como seu Presidente.

Imagem1Dilma Roussef, nascida em Belo Horizonte (Minas Gerais), no dia 14 de dezembro de 1947, economista, viveu os anos de sua juventude como ativista de extrema-esquerda, chegando à guerrilha urbana contra a ditadura militar que investiu o Brasil no período 1964-1985. A jovem Dilma vem emprisionada pelos militares, torturada, passando três anos nos cárceres da ditadura.

Filha de um advogado e empresário búlgaro e de uma professora primária brasileira, sendo assim filha de um imigrante e partecipante de uma 2ª. geração de novos brasileiros, tudo isso como um exemplo de rápida e alta integração de descendentes de imigrantes na vida política brasileira, como igualmente acontece nos USA com o Presidente Barack Obama, a futura presidente do Brasil teve uma infância burguesa e tranquila em seio à classe média da capital mineira.

Retornando o País à sua natural estabilidade democrática em 1985, Dilma se transfere a Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde conclui os seus estudos de economia e partecipa da vida política estadual, integrando-se na política trabalhista do governador Leonel Brizola.

Em 2002, com a eleição de Luís Lula Inácio da Silva para o seu primeiro mandato de Presidente do Brasil, a ativa economista mineira, já então militante e dirigente do Partido do Trabalhador, o mesmo de seu Presidente, vem nomeada por Lula para o cargo de Ministro da Energia. Neste encargo ela revela particulares qualidades administrativas e forte caráter dirigencial.

Três anos depois, em 2005, quando Lula, em pleno início das atividades de seu 2º. Mandato presidencial vê e consegue superar  o escândalo conhecido por “mensalão“ (compra nos bastidores de deputados para chegar à aprovação de leis), escândalo que envolveu todo o Partido do Trabalhador e custou o cargo de Chefe da Casa Civil a José Dirceu, homem forte do PT e natural candidato à sucessão de Lula, o Presidente chama a ex-guerrilheira para sucedê-lo. Começa então, na qualidade de titular da Casa Civil da Presidência da República a definitiva ascenção de Dilma Roussef na vida política nacional.

Porém, quando Lula a apresenta como candidata à sucessão presidencial, a história de uma ex-guerrilheira choca grande parte da opinião política brasileira, choque esse alimentado pela media mais ativa do País. Sua participação em juventude aos movimentos de guerrilha, as prisões por ela sofridas longamente, as torturas correspondentes porque então passara, tudo isso fazia da candidata algo de inédito na perspectiva eleitoral brasileira. Porém, ao lado dessas experiências pouco comuns a um candidato à Presidência do País, o grande empenho pela liberdade por ela sempre demonstrado atraía fortemente.

A passagem para o segundo turno das eleições, foram

principalmente uma demonstração do eleitorado brasileiro de todas essas hesitações. Hesitações superadas com as eleições deste já agora histórico 31 de outubro de 2010, quando a primeira mulher brasileira vem eleita Presidente da República com 55,7 milhões de votos, enquanto o seu adversário, José Serra, recebia 43,7 milhões. Dilma então aumenta a sua diferença de votos quanto a Serra, passando dos 8 milhões do primeiro turno ao 12 do turno decisivo. E tudo isso apesar da maior abstenção eleitoral do último pleito, abstenção que atinge os 20% dos votos.

No seu primeiro pronunciamento público, feito logo após o conhecimento oficial de sua eleição, Dilma soube definir em vários pontos a sua forte personalidade política, prospectando o quando desejava realizar em seu governo que nascia em um momento muito especial da história brasileira, momento que vê o Brasil do lulismo elevar-se como uma da novas potências mundiais. Neste seu brilhante primeiro pronunciamente ao povo brasileiro ela já soube exprimir o quanto do novo espírito socialista guie a liderança do País e isso em tantos pontos significativos, dentre os quais destacamos o seguinte em que o novo Presidente declara:

“(… …) faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação dos serviços públicos. Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.”

A eleição de Dilma Roussef acrescentava assim mais um degrau à crescente escada de progressão para a modernidade também política que o Brasil está sabendo revelar nesses nossos não fáceis tempos.

Agora, neste 2013, vive-se a expectativa das próximas eleições do final de 2014. Em janeiro de 2015 Dilma Rousseff tem um encontro marcado com a sua reeleição para um segundo período presidencial, indispensável para a continuidade da política de desenvolvimento do Brasil. Mas, não será uma eleição fácil. O mesmo progresso social que acompanha a fase moderna da política brasileira a partir de 2002 projeta problemas que se refletem na personalidade da nossa primeira preaidente mulher. Dentro das categorias sociais do país, até mesmo aquela que não usufrui ainda dos progressos conquistados nesses anos pelo menos soube conquistar a capacidade de protestos e contestações. Os recentes fatos ocorridos durante a Confederation Cup de 2013, brilhantemente vencida pela seleção brasileira de futebol, esses fatos revelam algo de muito profundo: o brasileiro está assumindo a plena maturidade de sua consciência civil. Os protestos pelo aumento do transporte e mais aqueles mais genéricos dos grandes gastos para a realização da Copa do Mundo de Futebol, de 2014, deixam compreender como mesmo aquela parte da população mais marginal vive uma própria consciência civil. Os seus direitos básicos são defendidos mesmo diante diante do fascínio de uma Copa do Mundo que promete ao Brasil a conquista de seu tão desejado título de hexa-campião. O governo de Dilma Rousseff soube em geral assumir uma atitude de equilíbrio diante de fatos tão importantes e substanciais. A posterior visita do Papa Francisco I trouxe outros pontos de esclarecimentos sobre as dimensões dessa política e os consequentes reflexos na vida nacional.

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