Pentacórdio a partir de 11 de Setembro

por Rui Oliveira

 

 

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   Nesta Quarta-feira, 11 de Setembro o evento marcante será, sem dúvida, no Cinema São Jorge, o arranque da 7ª edição do MOTELx, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que oferece habitualmente a melhor selecção de cinema contemporâneo do género.

   De entre as 80 curtas e longas metragens, nacionais e internacionais, que ocuparão quase 60 sessões de cinema, destaca-se na “Sessão de Abertura” a estreia absoluta, às 21h30, na Sala de Manoel de Oliveira (SMO), de “Open Grave”(2013), o último filme do realizador espanhol Gonzalo López-Gallego, a história de um homem que acorda numa floresta, num fosso cheio de cadáveres, sem memória da sua identidade.

   Este é o trailer divulgado, falado em italiano (?) :

   Já na “Sessão de Encerramento” no Domingo 15, o MOTELx apresenta na mesma Sala, às 21h45, “You’re Next” (2011), de Adam Wingard,  a Curta (metragem) vencedora do Prémio YORN MOTELx 2013.

   Na restante programação, destacam-se, além da secção principal “Serviço de Quarto” (onde, além de duas antologias “The ABCs of Death” e “V/H/S/2”, há 5 longas-metragens no feminino),  também o “Prémio Yorn MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa” (curtas nacionais ou co-produções maioritariamente portuguesas), “Quarto Perdido” (viagem pela história do cinema de género português), “Doc Terror” (documentários sobre cinema de terror ou temas relacionados), “Curtas” (curtas-metragens de terror não produzidas em Portugal ou nacionais fora de competição) e “Lobo Mau” (programação especial para o público mais jovem, associada à Cinemateca Júnior).tobe-hooper-01

   O MOTELx 2013 irá, pela primeira vez, homenagear simultaneamente  grandes nomes do cinema de terror, sendo o convidado de honra o mestre norte-americano, Tobe Hooper (foto), responsável pelos clássicos “Massacre no Texas” (1974, que será exibido) e “Poltergeist” (1982); também será projectado, entre outros, o raro “Eggshells” (1969) (Quarta 11, na Sala 3, às 21h45).

100nakata   Também será convidado especial Hideo Nakata (foto), o realizador japonês que transformou o cinema de terror com “Ring” (1998), e que este ano apresentará “The Complex” (2012), o seu grande regresso desde “Dark Water”(2002) (Sábado 14, na SMO, às 21h30).

   Haverá ainda duas antestreias: a celebrada (e rentável) longa-metragem de James Wan (Sexta-feira 13, na mesma SMO, às 0h15) intitulada “The Conjuring” (2013) e a co-produção hispano-franco-portuguesa “Painless” («Insensíveis», 2012) de Juan Carlos Medina que venceu o Festival de Estrasburgo (Domingo 15, na Sala 3, às 19h15).

   A calendarização das sessões pode ser vista aqui .

   O vídeo com que terminamos comprova a qualidade e riqueza deste acontecimento “onde o terror é benvindo / where terror is welcome”, segundo o seu lema :

 

 

   Como já referimos anteriormente, a estrutura A Mala Voadora (que comemora 10 anos de actividade) mostra o seu segundo espectáculo resultante da colaboração com o Teatro Oficina (criada na Capital Europeia da Cultura) no espaço Negócio da galeria ZDB (à Rua de O Século, nº 9, porta 5) desde esta Quarta-feira, 11 de Setembro até a Sábado 14, às 21h30.06/00/1991. American Author Don Delillo

   Trata-se de “A Sala Branca”, um texto Don DeLillo (foto) que é uma narrativa circular, com duas partes. Na primeira, passada num hospital psiquiátrico, tornam-se ambíguos os papéis de quem é paciente e de quem é médico. Na segunda, os mesmos actores representam o que parece ser uma situação de “teatro dentro do teatro” na qual a acção se passa num quarto de hotel. A ala hospitalar Arno Klein dá lugar à companhia de teatro Arno Klein mas, quando Arno Klein de facto aparece, ele é afinal uma das personagens que estava presente na primeira parte.

   Representam-na, sob a direcção de Jorge Andrade, os actores Anabela Almeida, André Júlio Teixeira, Carlos António, David Cabecinha, David Pereira Bastos, Diana Sá, Emílio Gomes, Jorge Andrade e Tânia Alves , com cenografia e figurinos de José Capela e desenho de luz de Pedro Vieira de Carvalho.

 

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   Igualmente no teatro, volta nesta Quarta-feira, 11 de Setembro, às 21h30, ao palco da Sala Azul do Teatro Aberto, a versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos da peça de Arthur Miller intitulada “O Preço”, com encenação e luz de João Lourenço e dramaturgia de Vera San Payo de Lemos.

   A interpretação é de António Fonseca, João Perry, Marco Delgado e São José Correia, com cenário de António Casimiro e João Lourenço e figurinos de Dino Alves.20130628103245_43PR7FHGY1GO41TSBQ17

   Sinopse :

   Nova Iorque, 1968. Dois irmãos voltam a encontrar-se, dezasseis anos depois da morte do pai, para desocuparem a casa que deixaram intacta ao longo de todos aqueles anos. Um velho avaliador vem dar-lhes um preço pelos móveis e objectos de que se querem desfazer. No entanto, a transacção não é tão simples como imaginaram: todas aquelas coisas fazem parte da história da família, estão repletas de memórias e obrigam-nos a confrontarem-se com o passado e com as escolhas que fizeram na vida.

   Qual foi o preço dessas escolhas? Qual é o preço das contas que ficam em aberto? Entre o deve e o haver, o que se perde e o que se ganha? Neste encontro cheio de emoções, debatem-se as grandes questões da vida, com a esperança sempre acesa de uma maior compreensão do que é profundamente humano (do programa do Teatro).

 

 

   Na Quinta-feira, 12 de Setembro o destaque vai, embora o seu experimentalismo possa ter públicos limitados, para o concerto que darão, dentro do Ciclo «Isto é Jazz» comissariado por Pedro Costa, no Pequeno Auditório da Culturgest, às 21h30, David Maranha (em órgão) e o percussionista australiano Will Guthrie (na bateria).antarctica de maranhaDavid_maranha

   O multi-instrumentista português (especialmente interessado no órgão Hammond e no violino) David Maranha (foto à dir.) tornou-se desde a década de 1980 numa das referências maiores do experimentalismo português e grande parte das suas criações não recorre a qualquer tipo de partituras.

   “Mais recentemente,” – informa a Culturgest – “com o colectivo Osso Exótico, a solo, em formações como Curia e Dru, e em colaborações avulsas com o formato de duo ou de trio, Maranha vem prosseguindo os princípios do psicadelismo, numa música mais ritmicamente construída e com evidentes conotações rock…”.

Will_Guthrie_in_performance_(Club_W71,_Weikersheim,_April_4_2010)(2)   Ao rol de músicos criativos com que tem estabelecido parcerias, desde Stephen Mathieu a Helge Sten, junta-se agora o prestigiado praticante da improvisação na Austrália Will Guthrie (foto à esq.), hoje radicado em França, o qual, à semelhança de David Maranha, “tem interesses multiformes no que respeita à indução do transe por meios musicais, sendo ainda metade do duo Elwood & Guthrie, dedicado a uma muito particular visão da folk dos Apalaches” (diz ainda a Culturgest).

   Este é um brevíssimo registo de David Maranha num seu concerto no Parque de Serralves em Julho de 2011 com Stephen Mathieu e Sylvain Chaveau, enquanto quem pretenda ouvir o seu último trabalho a solo “Antarctica” (2010) pode fazê-lo aqui.

 

 

   Gente mais jóvem poderá estar interessada na vinda à Galeria Zé dos Bois (ZDB) na Quinta-feira, 12 de Fevereiro, às 23h, de um dos mais originais Djs do momento, o americano Ashland Mines que, enquanto entidade Total Freedom, é, na costa leste (Los Angeles), a ponta de lança da crew Fade To Mind como expoente da cultura bass hoje florescente.

 TOTAL-FREEDOM  Como refere a ZDB, Mines é «amplamente respeitado na cena local desde cedo,…  o seu domínio nas franjas musicais levou a que DJ/Rupture o convidasse para o seu lendário programa de rádio Mudd Up! e que vários clubes lhe abrissem a porta para um lugar cativo nas suas noites … Tecnicamente irrepreensível, ressalta com preponderância a espontaneidade e ousadia nas escolhas e na forma como interagem entre si. Da cacofonia ao silêncio, do vocal a cappella ao instrumental seco, de Steve Reich a Ciara, Total Freedom incorpora cada elemento e cada alusão num todo, extraíndo o que de mais expressivo existe em cada um deles. Por isso os sets soam tão orgânicos e intensos, quase com vida própria, e construídos como se de narrativas se tratassem…».

   A “fogosa” actuação no Boiler Room, o ano passado,(que pode ouvir-se aqui ) apresentou-o a um público mais alargado, embora os pequenos bares e galerias continuem a ser o habitat natural de Mines.

 

 

   Aos amantes de jazz, assinala-se que, dentro do ciclo “A Arte da Big Band”, a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, sob a direcção de Luís Cunha, actua (com acesso livre) no Largo de São Carlos às 19h desta Quinta-feira, 12 de Setembro, enquanto nesse mesmo dia, às 22h30, na sede do Hot Clube, o pianista de jazz Luís Figueiredo volta a apresentar (e repeti-lo-á a 13 e a 14) o seu terceiro álbum “Lado B”(Sintoma Records, 2012).orquestra-de-jazz-do-hot-clube-de-portug-b9c9

   Acompanham-no no palco Gonçalo Marques trompete, Desidério Lázaro saxofones, Luís Figueiredo  piano e fender rhodes, Mário Franco contrabaixo e Alexandre Frazão  bateria.

   Demos aqui a palavra à Orquestra dirigida por Luís Cunha (e Pedro Moreira) a tocar, há cerca de um ano, um tema de Sérgio Rodrigues, com uma constituição quase idêntica à presente : Johannes Krieger, Tomás Pimentel, Gonçalo Marques, Claudio Silva, Diogo Duque  trompetes; Lars Arens, Xavier Ribeiro, Rúben da Luz, Diogo Costa trombones; Jorge Reis, João Capinha, César Cardoso, Daniel Vieira, Hélder Alves  saxofones; Daniel Bernardes piano; André Santos  guitarra; António Quintino  contrabaixo e Pedro Felgar  bateria.

 

 

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   Aos interessados em arquitectura, mas também aos leitores em geral, adverte-se que a 3ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, cujo tema é “Close, Closer”, inaugura já nesta Quinta-feira, 12 de Setembro, com curadoria geral de Beatrice Galilee (foto).

Beatrice Galilee   Ao longo de três meses, de 12 de Setembro a 15 de Dezembro, a partir de diversas plataformas de exposições, eventos, discursos, conversas, peças de teatro, histórias, campanhas, concursos, jantares, debates, parlamentos, publicações, interfaces, atmosferas, experiências, invenções e acções cívicas, a Trienal vai analisar a condição em que a arquitectura é exercida, bem como examinará as formas políticas, tecnológicas, emocionais e institucionais da prática espacial.

   Quatro programas centrais, “Futuro Perfeito” (no Museu da Electricidade, de Terça a Domingo, 10-18h), “A Realidade e Outras Ficções” (na galeria Carpe Diem Arte e Pesquisa, de Quarta a Sábado, 13-19h), “O Efeito Instituto” (no MUDE, de Terça a Domingo, 10-18h) e “Fórum Novos Públicos” (na Praça da Figueira, até 31 de Outubro), bem como uma multiplicidade de Projetos Associados, apresentam a arquitectura não apenas como um objecto e uma ideia a ser mediada, mas como um acto de mediação em si mesmo.

   Ou, como diz a sua curadora, «uma disciplina que não é exclusiva a profissionais ou definida apenas por edifícios, mas sim como um campo em expansão, com a qual sociólogos, cientistas, curadores e artistas estão envolvidos de forma dinâmica».

   Esta edição criou também um novo tipo de concurso, apelidado de “Crisis Buster”, que concede um número limitado de pequenas bolsas a equipas que apresentem ideias de projectos a curto ou a longo prazo para Lisboa.

   Ver programação detalhada em  http://www.close-closer.com/pt .

 

todos2013   Por último, lembra-se um evento intercultural característico desta época – O “Festival TODOS – o qual (como decreve a agenda da Câmara Municipal de Lisboa que o promove) quatro edições depois, sai do seu território de origem, o Intendente, e segue a «caminhada de culturas» por São Bento e Poço dos Negros desde esta Quinta-feira 12 até Domingo 15 de Setembro. «O festival procura agora enraizar-se num território onde se verifica uma forte componente intercultural e que urge ser (re)descoberto».

   «… A grande festa de todas as raças e credos, condição social e sensibilidades, faz-se com exposições, música, teatro, dança, sabores aliados ao intelecto, visitas ou workshops. E associa-se às Noites de São Bento (12 a 14) com as lojas da Rua de São Bento abertas noite afora».

   «Os espectáculos em 2013, em particular, estendem-se a várias dimensões. Como é o caso de Kohlhhaas, texto encenado mais de duzentas vezes mundo fora. Esta peça, interpretada por Marco Baliani, pode ser descrita como teatro político. E ganha mais força … se se disser que como palco terá a Sala do Senado da Assembleia da República … »orquestra todos

   Outros elementos a fruir serão : Vidros que vibram; Picapada; Photomaton; Roma Fest; Bollywood Masala; Artistas à procura de um abrigo; o Coro Gregoriano de Lisboa; Desmesura;  para terminar em TODOS, uma B.Leleza de Orquestra, que reune a Orquestra Todos e os músicos do B.Leza na sua casa, às 24h, num novo repertório dirigido pelos maestros Mario Tronco e Pino Pecorelli.

   A não perder !

   O programa integral em pdf pode ser consultado aqui .

 

 

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