Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Emprego: Acabemos com o massacre !
Georges Ugeux, Le Monde, Julho de 2013
Recentemente, um programa de TV apresentou a tecnologia que permite aos compradores das grandes superfícies encomendarem ou comprarem electronicamente passando por caixas electrónicas sem estar nenhum empregado presente. O orgulho dos inventores deste sistema era igual à pretensão dos dirigentes para quem isto não reduzia de modo nenhum o nível de emprego. Na sequência da emissão, nós soubemos que quase de imediato meia dúzia de caixas electrónicas teriam sido postas a funcionarem “numa primeira fase. Claramente, a prazo, a grande maioria dos empregados irá ser despedida.
Não se trata, obviamente, de querer retardar o progresso, mas é essencial que nós paremos e que coloquemos a questão do sistema em que vivemos.
Nós estamos a destruir cada vez mais empregos
A filosofia económica que domina as nossas consideradas sociedades avançadas é a de que consiste em carregar e favorecer de tal modo o barco do empregador que se torna necessário encontrar formas de reduzir o emprego.
Cada reestruturação é acompanhada por algumas centenas ou mesmo milhares de postos de trabalho perdidos. As empresas deverão permanecer livres, mas as intervenções de apoio pela parte do governo podem fazer a diferença.
Estamos a matar o espírito de serviço
Durante os dias que passei de férias na Grã-Bretanha e na îlha de Ré, o que mais me espantou foi a falta da ideia de serviço. Acostumado a ver nos restaurantes, hotéis, aeroportos e estações de comboio uma abundância de força de trabalho a realizar trabalhos muito diversos, fiquei impressionado com o facto dos sectores de serviços terem manifestamente uma quantidade insuficiente de trabalhadores.
É todo o sistema económico que funciona ao contrário, que funciona de cabeça para baixo, e não conseguimos encontrar uma maneira de motivar aqueles e aquelas que estão em contacto com a clientela. À menor pergunta, é uma reacção defensiva que nos acolhe.
Será que se tem consciência do privilégio que representa o trabalho?
A atitude daqueles e daquelas que têm um emprego é absurda: os privilegiados (as) que nós somos, nós que temos um trabalho, é que nós devemos respirar esta felicidade de ter esta responsabilidade e de ter este salário. Em vez de comunicar este prazer, não é isso o que ocorre a esta gente com ar enfastiado que nos recebe nas estações de comboios, nos aeroportos, nas administrações públicas.
Esta atitude é um insulto para os milhões de entre nós todos que dariamos tudo para ter esse emprego.
A rigidez sindical mata o emprego
Em matéria de emprego, os sindicatos adoptaram uma atitude corporativa que defende os seus membros. Os desempregados não lhes interessam: eles não pagam nenhuma quota. Manter a ideia de que a rigidez do emprego é uma batalha suicida. Os subsídios de desemprego que passam de geração para geração ou a duração das indemnizações dos benefícios é cinco vezes o que ela é nos Estados Unidos onde o desemprego continua a cair com a recuperação económica E a retoma não se fará esperar.
Será a aceitar mais flexibilidade sobre o emprego que chegaremos a conseguir aumentar os postos de trabalho. A recusa de emprego precário é criminal: perguntem aos desempregados se eles não estão dispostos a aceitar um emprego precário e a dignidade que o acompanha. Sob o termo “formas específicas de emprego”, (ou às vezes precários empregos) estão agrupados os status de emprego que não são contratos de duração indeterminada. Estes são contratos temporários, contratos a termo fixo, a aprendizagem e os contratos apoiados (definição de INSEE).
Os filmes mais devastadores sobre o desemprego são franceses.
Ligar os nichos fiscais ao emprego
Gattaz, o novo patrão dos patrões em França, à frente do MEDEF reivindicou uma baixa de 100 mil milhões nos encargos fiscais e outros encargos. Nem uma palavra sobre o que o MEDEF se propõe em troca. Se este se compromete a recrutar 1 milhão de novos trabalhadores, isso equivale a € 100.000 por posto de trabalho, o que reduz as indemnizações face à sociedade.
O tempo dos presentes acabou. É necessário merecer a intervenção do Estado e do contribuinte defendendo este objectivo vital que é a criação de empregos.
Inove sem reduzir os postos de trabalho.
Além disso, entre os problemas mais urgentes de nossa sociedade, a energia é um custo de que se corre o risco de vê-lo aumentar e que ameaça a competitividade das indústrias europeias. As declarações de Gérard Mestrallet, o patrão GDF Suez não deixa margem para dúvidas. Sem política energética e sem tabus, os grupos europeus irão desenvolver-se fora da Europa.
As reduções reclamadas pelo MEDEF poderiam ser também orientadas para as empresas que inovam, não para destruir o emprego, mas para reduzir estes outros encargos que pesam sobre as nossas empresas e que não têm impacto sobre o emprego.
É mais importante financiar a investigação sobre o consumo de combustível do sector automóvel do que estar a condená-lo o a uma morte lenta .
Recriar um diálogo social
A rigidez mental dos poderes públicos, do MEDEF e dos sindicatos é a maior força de destruição de postos de trabalho na França. Os países da Europa continental e em especial do Sul, fizeram disso a sua especialidade. Isto é intolerável.
Deve-se ter a coragem de fazer saltar esta carapaça e encontrar soluções que estimulem o emprego, não favorecendo o desemprego por indemnizações muito caras e muito longas. Esta é uma verdadeira mudança de mentalidade. A economia está ao serviço do homem e da mulher e não o contrário.
D’argent, point de caché. Mais le père fut sage
De leur montrer, avant sa mort,
Que le travail est un trésor.
Jean de la Fontaine: le Laboureur et ses Enfa

