(Conclusão)
Não é nenhum mistério porque é que directores e grandes accionistasda América descrevem a decisão de pagar o menos possível, como sendo uma “lei docapitalismo”: porque ao fazeremissoescondem o facto de que eles estãoa fazê-lo por uma opção própria.
Mas é uma escolha.
De modo muito importante, se as grandes empresas americanas estivessemalutarpara ganhar dinheiro, como elas estavamno início dos anosde 1980, nós não estaríamos a discutir aqui esta questão. Mesmo se as grandesempresas americanas estivessem a ganhar ao nível da taxa média de lucro isso não seria um problema. Mas a “eficiência” e o”valor accionista” os dois vectores que passaram a ser determinantesdepois do início da década dos anos 80 agora tem levado a comportamentos que tem idolonge demais, muito para lá do que pode ser aceitável. Basta olhar para os gráficosseguintes…
Gráfico 1:Os lucros das grandes empresas e as margens de lucro têm estado sempre emalta. As empresas americanas estão a ganhar maisdinheiro e mais por unidade de dólar emvendas do que já ganhavam antes.Basta, absolutamente. Isso significa que as empresas têm montes de dinheiro para investir. Mas estasnão estão a investi-lo. Porque elassão muitas avessas ao risco, obcecadaspelo lucro e a curto prazo são extremamente gananciosas.
Business Insider, St. Louis Fed
Gráfico 2:Os salárioscomo percentagemdo rendimento gerado naeconomia estão em baixa. Porque é que oslucros das empresas estão tão altos? Uma razão é a de que as empresas estão apagar aos trabalhadoresmenos do que o que eles ganhavam antes em termos de PIB. E esta é uma razão pela qual a economia está tão fraca. Os “salários” representam a capacidade de despesapara os consumidores americanos. A despesa do consumidor americano é, por outro lado, receita para as outras empresas. Então a obsessão pela maximização do lucro das grandes empresas está actualmente a criar situações de extrema precariedade e pobreza para o resto da economia, e a não permitir o crescimento das receitas.
Gráfico 3.Há menos americanos a estaremempregados do que emqualquer outro momento, ao longo das últimas três décadas. Outra razãopela qualas grandes empresas são tão rentáveis é a de que eles não empregam muitos americanos, como era seu hábito. Isto é assim, em parte, porque as empresas hoje consideram os salários dos seus trabalhadorescomo “custos” em vez de os considerarem como seres humanos que estão a dedicar assuas vidas às empresasque, por sua vez, osestariam a apoiar a eles e às suas famílias. (Simbiose! Imagine isso!) Como resultado do fogofrenéticoem nome da “eficiência” e ” da rentabilidade docapital próprio”, a relaçãoentre as pessoas empregadase a população dos EUA entrou em colapso. Agora estamos a regressar aosníveis dos anos de 1970-80.
Business Insider, St. Louis Fed
Gráfico IV :A parte do nosso rendimento nacionalque as empresas americanas estão a partilharcom as pessoas que nelas trabalham(” o trabalho”) está ao seunível mais baixo.O resto do nosso rendimento nacional, naturalmente, vai para os accionistas egestores(” rendimentos do capital”), que têm a ficar bem melhor hoje do que nunca o estiveram antes.
Em suma, a obsessão com “maximizar os lucros a curto prazo” que se desenvolveu na América nos últimos 30 anos criou uma cultura de negócios na qual os directores eexecutivos dançam ao som dos traders especialistas nocurto prazo edos relatórios dos resultados trimestrais, em vez de equilibrar o valor criado para os trabalhadores, clientes e investidores de longo prazo.
Isto não é o que fezda América um grande país. E não foi istoque fez de algumas excelentes empresas americanas a inveja do mundo.Isto também está a atingir e duramentea economia americana.
HENRY BLODGET, Sorry, It’s Not A ‘Law Of Capitalism’ That You Pay Your Employees As Little As Possible, Agosto de 2013. Read more: http://www.businessinsider.com/companies-need-to-pay-people-more-2013-8#ixzz2eFHWP8kc
