EDITORIAL – EM 14 DE OUTUBRO – EDIÇÃO DEDICADA À MULHER

Imagem2No dia 14 de Outubro dedicaremos integralmente a nossa edição à igualdade de género, à condição feminina, à luta contra a discriminação e por uma efectiva igualdade de direitos – numa palavra – à mulher. “A mulher na sociedade – viver, intervir, reflectir “. Pensamos que o feminismo é um ideal, uma causa, pela qual merece a pena lutar. Falamos do feminismo que defende a igualdade e não do radicalismo ridículo que ofende os princípios mais básicos da inteligência e prejudica a luta justa pela aplicação plena de direitos que as leis consagram.

É inacreditável como ainda há quem não aceite a plena igualdade de direitos e deveres. A violência doméstica, a repressão religiosa, de que as mulheres são vítimas são manchas comportamentais inaceitáveis nos dias de hoje. A lei do filho único na China, que leva os casais a abandonarem as filhas, as agressões, estupros, a excisão genital, assassínios que um islamismo retrógrado, motiva. Num mundo em que partilhamos tecnologias, avanços científicos, não faz sentido que não partilhemos princípios humanitários básicos e consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Por que razão escolhemos o dia 14 de Outubro? Em 14 de Outubro de 1906 nasceu Hannah Arendt, um dos seres humanos mais lúcidos que o século XX viu surgir.

Alemã de origem judaica, coube-lhe viver os horrores do nazismo. Mas sem maniqueísmos que seriam compreensíveis perante a natureza criminosa do regime de Hitler, teve a lucidez de preservar o respeito pela língua e pela cultura alemã. Soube explicar como o mal se banaliza e o que é horrível se torna trivial. No plano político, Arendt defendeu o pluralismo como valor maior. A prática do pluralismo, segundo ela, tornarão a igualdade política e a liberdade de expressão em algo de tão trivial como respirar. Em acordos políticos, convênios e leis, devem trabalhar em níveis práticos pessoas adequadas e dispostas. Como frutos desses pensamentos, Arendt se situava de forma crítica ante a democracia representativa, preferindo um sistema de conselhos ou formas de democracia directa. Enfim, muito do que aqui uma boa parte dos argonautas defende, Arendt preconizou nas suas obras. Nos próximos dias daremos mais informações sobre esta edição especial de 14 de Outubro. Para já, dizemos apenas que o leme da Argos passará nesse dia para as mãos da  argonauta Clara Castilho e que um dos indicativos gráficos da iniciativa, obra de Dorindo Carvalho, é este que aqui se apresenta. 002 (2)

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