por Rui Oliveira
Enquanto o Festival Cantabile vai concluir neste Sábado o seu programa através do seu Concerto nº 7 (já com reservas esgotadas !) no Palácio Nacional de Mafra – logo fora da nossa área de divulgação cultural – onde se ouvirão os Concertos Brandeburguês nº 6 e para violino e orquestra em Mi Maior de J.S. Bach e a Sinfonia Concertante em Mi bemol Maior de W.A.Mozart, aqui em Lisboa surge como evento mais interessante a estreia moderna mundial da Oratória em duas partes “Gioas, Re Di Giuda” de Pedro António Avondano (1741-1782) com libreto de Pietro Metastasio, a qual tivera a sua estreia original em Hamburgo há quase 250 anos ! (em 5 de Dezembro de 1763).
Será no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém neste Sábado, 21 de Setembro, às 21h e ainda no Domingo, 22 de Setembro, às 17h, sempre sem intervalo.
A execução caberá ao agrupamento residente Divino Sospiro e ao Coro Gulbenkian, ambos sob a direcção musical de Massimo Mazzeo e os intérpretes serão as sopranos Deborah York como Gioas, Gemma Bertagnolli como Sebia, Agata Bienkovska como Athalia, o barítono Filippo Mineccia como Mathan, o baixo Nuno Dias como Gioiada e o tenor Marco Alves dos Santos como Ismael.
Lembra a musicóloga Iskrena Yordanova que P. A. Avondano (imagem), «uma das figuras mais interessantes no panorama musical do século XVIII em Portugal, foi violinista, virtuoso da Real Câmara e o organizador dos primeiros concertos públicos em Lisboa nos meados dos anos sessenta de setecentos. 
Escreveu óperas, música sacra e instrumental, oratórias (pelo menos cinco, das quais sobreviveram três, todas com textos do maior poeta italiano do século XVIII, Pietro Metastasio) … Uma relevante descoberta recente permite deduzir que a obra provavelmente foi executada no âmbito da Corte Real Portuguesa. Tem uma instrumentação constituída por cordas, baixo contínuo, oboés, flautas e trompas … e apresenta um exemplo interessante de estilo early classical ou galante, no qual a mestria de Avondano para mostrar os efeitos dramáticos do enredo sacro de Metastasio alcança o seu melhor…».
Lembramos nós, com este vídeo, que o Divino Sospiro (cujo registo desta oratória ainda obviamente não existe) prossegue há vários anos a divulgação da obra de Avondano, nomeadamente esta Sinfonia em Fá Maior (é também de ouvir aqui a sua Sonata em Ré Maior acompanhando um artigo sobre a sua obra) :
Entretanto o Grande Auditório da Culturgest, às 21h30 deste Sábado, 21 de Setembro, apresenta “Utopía”, a mais recente criação da coreógrafa e bailarina sevilhana María Pagés.
«Inspirada na obra e na pessoa de Oscar Niemeyer» (diz a folha de sala), «é um projecto global em que sete bailarinos (de flamenco) interpretam com María a experiência ética e estética do desejo, do inconformismo, da utopia. Estrutura-se em oito partes, ou versos, que convocam poemas de Baudelaire, Benedetti, Neruda, Machado, Lerbi El Harti e do próprio Niemeyer, incorporando ainda palavras de D. Quixote de Cervantes.
Poemas que falam da solidariedade, do compromisso, do exílio, da fugacidade da vida, da pequenez dos homens, da imaginação e do idealismo como motores necessários da mudança.
O cenário, criado por Pagés, evoca e sugere “a praça aberta a todos os homens e mulheres do mundo”, “as curvas generosas, de espaços amplos e abertos”… A música, original e em directo, é composta e interpretada pelo guitarrista espanhol Rubén Lebaniegos e o cantautor folk brasileiro Fred Martins».
Se a ideia, direcção, coreografia, cenografia e desenho de figurinos são de María Pagés, no baile propriamente dito estão María Pagés, Isabel Rodríguez, María Vega, Eva Varela, José Barrios, José Antonio Jurado, Paco Berbel, Rubén Puertas, sendo músicos Ana Ramón e Juan de Mairena (cante), Rubén Lebaniegos e José “Fyty” Carrillo (guitarra), Fred Martins (voz, guitarra e cavaquinho) e Sergio Menem (violoncelo).
Mostramos-lhe o vídeo elaborado a quando da sua apresentação em 2012 no Festival Nuits de Fourvière, em Lyon :
Uma iniciativa e um alerta chamam agora a nossa atenção.
A iniciativa é a nova edição do festival “Rota dasArtes” em que durante aproximadamente duas semanas (de 21 de Setembro a 6 de Outubro), Lisboa recebe o talento de músicos, actores, escritores, museólogos e artistas plásticos, com uma série de espectáculos (para toda a família) no espaço extraordinário do Museu Nacional de História Natural e da Ciência.
Este “encontro das artes numa casa de ciência” responde à frase de António Sérgio referida no folheto descritivo “… sofremos daquela separação tantas vezes por nós dois lamentada, de classe para classe: os homens de ciência, os escritores, os artistas, os políticos, etc…”.
Assim a Noite de Abertura neste Sábado, 21 de Setembro, às 21h, consta duma homenagem a Antonio Tabucchi onde se presta esse preito a um dos mais importantes escritores da actualidade, com uma evocação do seu pensamento na companhia de obras de um dos seus compositores de preferência, Wolfgang Amadeus Mozart.
Haverá a narração de um seu conto inesquecível “I volatili del Beato Angelico”, com um trabalho visual e musical, por um grande actor do teatro italiano, Gianluigi Tosto, acompanhando o talento ímpar de um pianista de referência internacional Nicolas Hodges (ou Artur Pizarro) e ainda um elenco de músicos de qualidade (Tatiana Samouil, Natalia Tchitch, Pavel Gomziakov e Massimo Spadano, entre outros) .
Ao mesmo tempo inaugurar-se-á a exposição “PORTUGAL 1967 – O olhar de Antonio Tabucchi”, uma mostra de fotografias de Antonio Tabucchi, revelando um talento menos conhecido da riquíssima personalidade artística e humana deste autor.
E ainda outra “20 Escritores para Lisboa – Tulio PERICOLOI – um amigo”, pequena mostra de retratos de 20 escritores, por um dos maiores desenhadores italianos da actualidade.
O alerta é para o fecho da curta temporada (até ao próximo Domingo, 22 de Setembro) no Teatro Meridional (ao Beato) onde a companhia do Teatro do Aloés apresenta o segundo (depois de “Ensaio ou Café dos Artistas”) de três espetáculos do Ciclo M’Hamed Benguettaf por si produzidos.
Este intitula-se “FATMA” e nele a peça traduzida por Mário Jacques é dirigida por Elsa Valentim, cabendo a interpretação a Sofia de Portugal, numa encenação de Ana Rocha de Sousa com música de Rui Rebelo.
Sinopse :
Fatma, a única personagem da peça, é mulher de limpeza num ministério e na Câmara de Argel. Um dia por mês o terraço do prédio onde mora pertence-lhe para estender a roupa. É um dia feliz de total liberdade. Fatma é uma mulher como as outras, que cruzamos na rua sem nada saber do seu destino, dos seus sofrimentos, das suas alegrias. Fatma incarna todas as mulheres do mundo, sufocadas, exploradas, amordaçadas com ou sem véu. Escrita em 1990 pelo dramaturgo argelino M’Hamed Benguettaf, “Fatma” é um monólogo vigoroso sobre a fragilidade da Humanidade.
Três notas finais (e outras haveria se fôssemos exaustivos).
Chega este Sábado, 21 de Setembro a segunda edição do “Lisbon Week” até a 28 de Setembro. Patrocinada pela Caixa Geral de Depósitos e realizado em co-produção com a Câmara Municipal de Lisboa, o Lisbon Week (diz o programa) «vai, de Sábado a Sábado, explorar edifícios com séculos de história, revelar obras de vários artistas, e montar concertos e palestras em locais inesperados. Da História à Arte, passando pela Gastronomia e pela Música, várias temáticas foram desenhadas para reflectir um novo olhar sobre a cidade…
Do alto do Parque Eduardo VII ao rio Tejo, tendo como epicentro a Rua das Portas de Santo Antão, o público vai ser convidado a re-descobrir Lisboa, numa partilha de experiências sem precedentes.
Haverá três pontos informativos para as diferentes partidas dos passeios Lisbon Week : o percurso Verde, que percorre o Corredor Verde de Monsanto, tem início no Jardim Amália, em pleno coração do Parque Eduardo VII; a viagem pela Arte, feita no autocarro Lisbon Week/CGD, começa na intersecção entre o Parque Eduardo VII e o Marquês de Pombal; já as visitas guiadas da História, que vão desvendar os segredos da Rua das Portas de Santo Antão e arredores, partem do Lounge Lisbon Week/CGD.
À semelhança do ano passado, a maioria dos eventos são de acesso livre. As reservas para as visitas guiadas, concertos e palestras poderão ser feitas através do número de telefone 1820. O acesso ao programa integral faz-se em : http://lisbonweek.com/pt/2013-(2)/
Decorrem desde a Sexta-feira 20 até ao Domingo 22 de Setembro as “Jornadas Europeias do Património”, uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, envolvendo cerca de 50 países, tendo como objectivo a sensibilização dos cidadãos para a importância da protecção do Património. Devendo em cada país ser promovido, anualmente, um programa de actividades a nível nacional, de acesso gratuito na sua grande maioria, a Direcção-Geral do Património Cultural, entidade responsável pela coordenação do evento, propôs, para as Jornadas Europeias do Património de 2013, o tema Património / LUGARES, com o qual pretende «chamar a atenção para a dimensão humana de que o património se reveste, expressa materialmente em espaços e paisagens – urbanos e não urbanos – que nos marcam, que exploramos e com que convivemos numa relação de proximidade…
Os lugares estruturam o desenvolvimento pessoal e social, sustentam identidades, exprimem a dimensão cultural da sociedade, interessando conhecê-los para além do aparente, para os podermos estimar e proteger …»
Sobre esse tema “Lugares” o arquitecto Eduardo Souto Moura pronunciou no Palácio Nacional da Ajuda uma conferência alusiva na passada Quinta-feira, 19 de Setembro.
Consulte aqui o programa pormenorizado das múltiplas iniciativas, todas de acesso livre nas dependências da DGPC.
Por último (e porque é o re-início da actividade “pedagógica” da Fundação Calouste Gulbenkian nesta temporada) assinale-se a primeira das Grandes lições deste ano, em que se ouvirão o poeta sírio Adonis e o escritor brasileiro Milton Hatoum.
Será no Auditório 3 às 15h deste Sábado, 21 Setembro de entrada livre com transmissão em directo online, onde se ouvirá uma conferência por Milton Hatoum “Experiência e Linguagem”, versando como a experiência de um escritor é sedimentada na forma romanesca ou como se constrói a ponte entre a experiência e a linguagem.
Segue-se às 16h15 uma conversa sobre livros com Adonis e Milton Hatoum, seguida de debate e perguntas do público.
E haveria ainda de mencionar-se o regresso ao Ondajazz, às 22h30 de Sábado, de Vania Fernandes voz, acompanhada por Júlio Resende piano, João Custódio contrabaixo e Alexandre Frazão bateria ;
enquanto ao palco da galeria Zé dos Bois sobe a estrela ascendente do rap norte-americano, Dynasty que é actualmente (segundo a ZDB) «uma das vozes mais vitais no género … Nascida no bairro de Queens (Nova Iorque), aos catorze anos deixa-se envolver na street culture do hip hop enquanto absorve as vivências de crescer numa comunidade multicultural, extraindo o seu melhor. Uma experiência que espelha a crueza das palavras e a espontaneidade das ideias que surgem em cada canção. Geneticamente afastada da facção mais vanguardista do rap, e mais afastada ainda dos produtos mediáticos, ela recupera um genuíno espírito old school – por vezes difícil de encontrar nos dias que correm».
Este é um tema do seu álbum Magnificent recem editado (Agosto de 2013) :





