EDITORIAL – O FIM DA UNIÃO EUROPEIA

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Angela Merkel venceu as eleições na Alemanha domingo passado. Ia conseguindo a maioria absoluta. Presumivelmente vai estabelecer uma aliança com o SPD, o partido social-democrata alemão. À primeira vista, seria de pensar que numa aliança como esta, a senhora Merkel não poderia continuar a governar do mesmo modo, sobre a Alemanha e sobre a Europa. Desiludam-se os incautos, essa aliança, a verificar-se, não a forçará a governar de uma maneira mais flexível, em relação à austeridade e a assuntos relacionados. Talvez ela fizesse mais algumas concessões às classes trabalhadoras alemãs. Quanto ao resto da Europa,  as perspectivas não se alteram talvez até se agravem. Leiam aqui:

http://www.lemonde.fr/europe/article/2013/09/23/elections-en-allemagne-le-spd-a-le-choix-entre-deux-mauvaises-solutions_3483160_3214.html

É claro que o SPD não tem grande margem de manobra. Mas mesmo se a tivesse isso não faria grande diferença, pelo menos para os restantes membros da União Europeia. É bom recordar algumas coisas elementares. A primeira, é que a união política da Europa continua a ser uma miragem, pois a Europa continua dividida. A história do mundo nos últimos séculos está muito marcada pelas divisões e lutas entre os países europeus. Não é nenhum preconceito eurocêntrico reconhecê-lo.

A segunda é que, cada vez mais, a dependência económica asfixia a independência política. E que as pequenas nações como Portugal têm grandes desvantagens à partida. Essas desvantagens não são insuperáveis, veja-se o caso da Suíça, mas num país como o nosso, com grande desigualdade social e concentração de riqueza, as coisas tornam-se muito mais complicadas.

A terceira é que o governo alemão, tal como o francês e o britânico, pensa primeiro no seu país. Depois na Europa. Ao fim, já pouco sobra para Portugal.

A União Europeia, na sua génese, idealmente, pressupunha uma igualdade, pelo menos em certos aspectos, entre as nações que a iriam integrar. Previram-se compensações para equilibrar as diferenças no volume de população, mas seria de manter uma igualdade de princípio na discussão de questões políticas. Há regras nesse sentido. Contudo, a desigualdade no que respeita ao poderio económico está a pôr isso em causa. Qual será o caminho para os chamados países periféricos? A anexação, o protectorado? Este último parece já estar em vigor, como muita gente já reconheceu. A reeleição de Angela Merkel veio agravar ainda mais as tendências já evidentes.

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