É claro que os ataques aos funcionários públicos não são isolados, que se inserem numa ofensiva contra os trabalhadores em geral. Mas há um aspecto concreto, que é o desejo de desestabilizar a máquina do Estado. O Estado exerce funções de redistribuição fundamentais ao equilíbrio e ao progresso da sociedade em geral. Neste momento, a campanha é no sentido de reduzir essas funções drasticamente, ficando os serviços públicos que integram o que se chama o estado social reduzidos ao mínimo, ou mesmo destinados a desaparecerem.
Mas a questão não se resume aos serviços de educação, saúde, à segurança social. Também os serviços de estudo, de orientação, de promoção e acompanhamento, assim como os que têm funções inspectivas e de fiscalização são afectados pela ideologia neoliberal que domina toda a política moderna. A própria Justiça é duramente afectada pelas intenções subjacentes a todo o processo. Com a excepção da segurança, entendida no sentido mais estrito, as funções públicas ficam notoriamente enfraquecidas. E isso repercute-se especialmente sobre os trabalhadores que as têm vindo a executar, os funcionários afectos a esses serviços.
O choque infligido a todo o aparelho de estado afectou gravemente toda a população, excepto a uma minoria (os tais 1%). Os funcionários públicos, de modo particular, vêem a sua situação em risco, exceptuando alguns, considerados integrados no pensamento dominante. As medidas tomadas contra eles, os cortes nos salários, os despedimentos em massa, os cortes retroactivos nas pensões, reflectem a vontade de alterar todo o funcionamento do estado, e, é bom ter sempre presente, todo o funcionamento da sociedade e da vida das pessoas em geral.

