EDITORIAL – HOJE, DIA DE ELEIÇÕES…

Imagem2Hoje, dia de eleições autárquicas, não falaremos nem de eleições nem de política ou de políticos portugueses. Hoje, vamos dedicar este Diário de Bordo ao discurso que José Mujica, presidente da República Uruguaia, pronunciou no dia 26, na Assembleia Geral das Nações Unidas. Já aqui referimos a ironia de Eduardo Galeano, o grande escritor e humanista uruguaio, queixando-se da invisibilidade do Uruguai – «Nós, os uruguaios, temos uma certa tendência para acreditar que o nosso país existe»…

A comunicação social portuguesa, atenta ao mínimo gesto ou palavra de Barack Obama, que não deixa passar em claro qualquer incidente na corte britânica, para não falar nos pormenores caseiros, incluindo os desaforos alvares, soeses, de Alberto João Jardim, não faz eco de um discurso histórico como o que o presidente José Mujica pronunciou na Assembleia Geral das Nações Unidas na passada quinta-feira. Uma contestação do modelo de sociedade que domina o mundo, com o seu substrato alicerçado num individualismo feroz. Num estilo coloquial, desafectado, põs em causa os valores do capitalismo e exaltou a fraternidade. Chamou a atenção para o milagre da vida e para os atentados que contra a vida humana a ânsia do poder e o primado do lucro cometem. Lembrou a capacidade científica que a nossa espécie adquiriu e como seria diferente se a ciência e a tecnologia estivessem ao serviço dos seres humanos e não fossem, como são, utensílios de repressão e de exploração.

Apesar da extensão do discurso, vamos transcrevê-lo hoje, dia de eleições, e pô-lo ao dispor dos nossos visitantes.

1 Comment

  1. Bravo! Carlos Loures. Esta foi uma ótima pedida.
    Mujica neles! Mujica em todo o mundo.! Precisamos de humanistas como o Uruguai, tão pequenino, produz. Galeano e Mujica valem por mil.
    Parabéns aos Argonautas.

    abraço,
    Rachel Gutiérrez

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