APRENDE-SE MÚSICA DA MESMA FORMA QUE SE APRENDE A FALAR por clara castilho

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É esta a opinião do professor e pedagogo norte-americano Edwin Gordon, cuja teoria da aprendizagem musical para recém nascidos tem seguidores em Portugal e que pode ser consultada num livro publicado pela Fundação Gulbenkian – Teoria de Aprendizagem Musical para Recém-Nascidos e Crianças em Idade Pré-Escolar, 20…. e que investiga há mais de vinte anos o desenvolvimento musical de recém-nascidos e crianças em idade escolar.

Tudo provém da constatação, por parte de diversos estudos, e de diversas ciências (neurologia, biologia, psicologia…) de que existe um período durante o qual, se o córtex cerebral não for utilizado para determinadas funções, irá servir-se desse “material” para pôr à disposição de outras funções. 

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Bom, mas queremos que todos sejam músicos? Não se trata disso.

Existe uma diferença entre orientação e educação. Se a orientação é informal, a educação é sempre formal. No primeiro caso, podem ser os pais ou professores a porem a criança em contacto com a cultura, naturalmente, sem planificação específica, numa absorção cultural e diferente de sociedade para sociedade. A aprendizagem da música, quer no canto, quer na utilização correcta de instrumentos, terá que ser feita de uma forma formal, planificada, e progressiva, de acordo com o desenvolvimento da criança e dos sucessos alcançados.

Se, como considera o autor, a música é tão básica como a linguagem, para a existência e o desenvolvimento humanos, através dela as crianças aprendem a conhecer-se a si próprias, aos outros e à vida. A partir daí pode dar-se um pulo para a imaginação e a criatividade, essenciais ao desenvolvimento de qualquer actividade.

O caso é que vivemos num mundo impregnado de música. Então, que saibamos compreendê-la. Esta compreensão faz-se de uma forma semelhante à da aquisição da linguagem falada.

A criança já ouve na barriga da mãe os diversos sons, desde o bater do seu coração, às falas de quem a rodeia, à música que ela ouve. Depois de nascer, sente uma diferença na forma de as ouvir, dado que já a propagação dos sons não se processa no meio da água.

Vai crescendo, e se tudo correr bem, ouvindo a fala dos que a rodeiam e absorvendo o significado que atribuímos ao que dizemos, num orientação informal para a aquisição da linguagem falada. A partir daí começam a vocalizar, a perceber o código da sua língua e cultura e a dizer as primeiras palavras, para alegria dos familiares. E a comunicação agora é outra, que não só o choro ou o  riso.

É este processo que deve ocorrer de uma forma natural, que mais tarde vai permitir à criança aceder à linguagem lida e escrita.

Em entrevista ao jornal Expresso em 28/10/2000, Edwin Gordon afirmou:

“A música não é uma aptidão especial concedida a um pequeno número de eleitos”.

 “Todo o ser humano tem algum potencial para entender música”

“É necessário que os adultos cantem para elas, dado que isto é a forma de lhes ensinar a usar a voz cantada, do mesmo modo que falar-lhes proporciona-lhes um modelo para a sua voz falada”.

As teses de Gordon para o ensino da música têm já seguidores em Portugal. Mas disso falaremos mais tarde.

 

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