“VALORES TRADICIONAIS DA CULTURA ESPANHOLA”

Suásticas nazis, retratos de Franco e de José António Primo de Rivera, símbolos das SS… Num colégio público de Quijorna, uma localidade na serra madrilena, com três mil habitantes, o PP local, à frente da autarquia, autorizou um acto de exaltação fascista. Questionada sobre a vergonhosa «feira do fascismo», a presidente da autarquia, a “alcaldesa”, Mercedes García, pedindo desculpa, alegou não ter reparado na parafernália fascista quando visitou a exposição. Mas comprou recuerdos.

Foi a porta-voz do PS local quem apresentou queixa na Guarda Civil, denunciando um acto de exaltação do fascismo  praticado num edifício público e que viola a Lei da Memória Histórica. Acusou a autarquia de «cumplicidade» com os ultras. Cumplicidade que nem sequer se tentou ocultar – “Jornadas de Exposição Militar e de Cultura da Defesa”, é como o cartaz anuncia a exposição, uma organização conjunta do “Ayuntamiento” de Quijorna e pela Irmandade de Regulares de Ceuta, com o objectivo de “fomentar e de promover os valores tradicionais da cultura espanhola, obter o máximo apoio social e divulgação, favorecendo a completa identificação da sociedade com as suas FFAA”, além de “fomentar e de promover a cultura da Defesa e de Segurança na sociedade””. A autarca que não reparou na simbologia nazi da exposição,  participou numa homenagem aos  que se sublevaram contra a II República. “A los caídos por Dios y por España en defensa de Quijorna del 6 al 8 de julio de 1937″, reza a placa  inaugurada por Mercedes García.

O fantasma do franquismo sobrevive na mente de muitos espanhóis. Existe uma Fundação Francisco Franco, atenta aos insultos de que a imagem do velho bandido pode ser alvo. Para além dos movimentos de ultras,  o PP parece ser um ninho onde se abrigam muitos dos  saudosistas do regime ditatorial.

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