UM POEMA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA – tradução em italiano de Simonetta Masin (desenhos de Dorindo Carvalho)

Durante o breve interregno na publicação de Poesia ao amanhecer, vamos editar uma pequena série de poemas de autores portugueses, baseada em trabalhos de Dorindo Carvalho. Começamos com uma versão em italiano do poema Desenhos, de António Ramos Rosa, feita pela nova argonauta Simonetta Masin e ilustrada com três desenhos de Dorindo, com versos de Ramos Rosa.Imagem3

Desenhos

O que nos diz a imagem? Diz-nos o que é e não o diz.

Porque não é uma palavra. Antes um silêncio,

Uma ausência, um vazio.

O seu sentido é uma promessa de sentido

Ou o silêncio do sentido que respira e transparece.

Ausência na presença plena.

Cintilação silenciosa e fixa de um olhar sem fim.

Um olhar vazio de tudo – que vê e não vê

E só vê porque é cego.

Tudo nele é visão, mas a visão vê tudo.

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Disegni

Che cosa ci dice l’immagine? Ci dice quello che è e non lo dice.

Perché non è una parola. Piuttosto un silenzio,

Un’assenza, un vuoto.

Il suo significato è una promessa di significato

O il silenzio del significato che respira e traspare.

Assenza nella presenza piena.

Scintillio silenzioso e fisso di uno sguardo senza fine.

Uno sguardo vuoto di tutto – che vede e non vede

E vede solo perché è cieco.

Tutto in lui è visione, ma la visione vede tutto.

António Ramos Rosa, «Desenhos», in Le Domaine Enchanté – António Ramos Rosa, Disegni , in Le Domaine Enchanté, traduzione italiana a cura di Simonetta Masin.

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