Pentacórdio para Quinta-feira 10 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

   Num dia menos rico que o anterior, o Centro Cultural de Belém concentra dois dos eventos significativos desta Quinta-feira, 9 de Outubro nas suas salas.

 

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   Ao Grande Auditório vem, às 21h, a Orquestra Jorge Costa Pinto dirigida pelo próprio para celebrar em concerto o 50º Aniversário da Primeira ‘Big Band’ Portuguesa a Tocar Jazz em Portugal o que ocorreu a 25 de Janeiro de 1963 no programa «Jazz no Estúdio “A”» da RTP.

   Organizada em 2003, a  orquestra Jorge Costa Pinto toca jazz instrumental e vocal, com incidência sobre os compositores e arranjadores famosos da década de 1950, oriundos do jazz da costa oeste dos EUA (Stan Kenton, Woody Herman, Gerry Mulligan, Raph Burns, Bill Holman, John Fedechok). Do seu reportório, além de peças originais, constam famosos standards do American Song Book, como veículo para os solistas se expressarem na linguagem jazzistica.JorgeCostaPinto

   Jorge Costa Pinto (foto dir.) , director da orquestra e seu maestro e um dos fundadores do Hot Club de Portugal, dedicou toda a sua vida à música, nomeadamente a este tipo, recordando com entusiasmo (vide Atual de 5/10) a primeira viagem aos EUA com Luiz Villas-Boas ao Festival de Jazz de Newport que o marcou determinantemente. É hoje, com os seus 80 anos, o único dos músicos originais da antiga formação.

   No concerto, dividido em duas partes sem intervalo, será revisto o passado, chegando “timidamente” ao presente, onde meia hora será dedicada à história da big band, durante a qual a nova formação tocará os seis temas do «Jazz no Estúdio “A”» e no ecrã passará o vídeo do programa com depoimentos de José Duarte, Raúl Calado, Manuel Jorge Veloso (produtor do programa da RTP 1963) e João Moreira dos Santos (produtor actual).  rao_kyao_gf

   Como convidados actuarão os solistas da orquestra Rão Kyao (flautas)(foto esq.), Kiko Pereira (cantor), Maria Viana (cantora), Jeff Davis  (vibrafone) e ainda Carlos Martins (saxofonista).

   Prenuncia-se um concerto memorável.

   Um dos momentos antecipáveis será a colaboração com Maria Viana, como em Almada em 2008, tocando “Fascinating Rhythm” de George Gershwin (ou com Carlos Martins em Divertimento para Saxes também em 2008 a ouvir aqui ) :

 

 

 

   Também no Centro Cultural de Belém, mas agora no seu Pequeno Auditório, às 21h desta Quinta-feira, 10 de pierre_aderneOutubro o cantor e compositor carioca Pierre Aderne, nascido em França, filho de pai português e de mãe brasileira, vem a um concerto como que expor a transição dum seu álbum para outro, sempre dentro dum seu conceito particular, o da Música Portuguesa Brasileira.

   Encerra assim a divulgação de “Bem Me Quer Mar Me Quer”, álbum que conta com as participações de Jorge Palma, Sara Tavares, JP Simões, Daniel Jobim, Susana Félix e Gisela João, entre outras.

   Dará simultaneamente início a um novo ciclo com o desvendar de algumas das canções de “Caboclo”, o seu novo álbum, que tem sido gravado entre Lisboa e Nova Iorque e que conta com a participação de artistas bem me quer mar me quercomo Tito Paris e Melody Gardot, além de incluir uma canção inédita com Madeleine Peyroux.

   Demonstrativo de tais colaborações é este sugestivo vídeo “Jardim de Inverno” relativo ao álbum “Bem Me Quer Mar Me Quer”, filmado em Setembro de 2012 na Lagoa (Rio de Janeiro), com a presença (e voz) de Susana Félix, e Mário Laginha (piano), Pierre Aderne e Luiz Caracol (violões), Dadi (baixo e guitarras) e Mário Barreiros (bateria) :

 

 

 

 

   É também um Recital de Música Popular Brasileira com programa a anunciar que está previsto para a Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h desta Quinta-feira, 10 de Outubro, com a habitual entrada livre.

   Admitindo, como foi divulgado, que seja um “Recital de canto e piano” em que intervenham Márcio Ivens, no canto e Raul Camacho no piano, poderá ser uma réplica do ocorrido naquele local com os mesmos intérpretes em Maio passado, de que lhe mostramos um registo gravado na altura :

 

 

 

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   No campo do teatro, a estreia da noite verifica-se na Sala Estúdio do Teatro Nacional Dona Maria II onde sobe ao palco, às 21h45, a peça “Comunidade” de Luís Pacheco (foto), prevista permanecer até 3 de Novembro próximo.

luiz_pacheco_por_cabral_nunes   Exibe-se de 5.ª a Sáb. às 21h15, no Dom. às 16h15 e na 4.ª às 19h15.

   Este é um trabalho de Maria Duarte, Gonçalo Ferreira de Almeida e João Rodrigues, com a participação de Francisco Goulão.

   Do texto de Luís Pacheco incluído no programa, este excerto reflecte a peça :

  “É um bicho poderoso, este, uma massa animal tentacular e voraz, adormecida agora, lançando em redor as suas pernas e braços, como um polvo, digo: comunidade 2um polvo excêntrico, sem cabeça central, sem ordenação certa (natural); um grande corpo disforme, respirando por várias bocas, repousando (abandonado) e dormindo, suspirando, gemendo. Choramingando, às vezes …

… e para ali ficámos, quietos e palpitando, à espera, quietos e confiantes, dum socorro improvável, cada vez mais (e as horas passam!) improvável, incerto, aguardando a luz da manhã, que chega sempre, que acaba sempre por chegar, para vivos e mortos, calados ou palrantes, ladinos ou soterrados, os que já desistiram da madrugada e os que, ainda, contra qualquer lógica, contra qualquer quantidade de esperança, confiam ainda e esperam.”

 

 

 

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   No Teatro Turim (Estrada de Benfica, nº 723) estreou na véspera (9/10) para ficar em cena até 26 de Outubro (de danny cartaz melhorQuarta a Sábado, às 21h30) “Danny e o Profundo Mar Azul”, um texto de John Patrick Shaley numa encenação de John Frey, interpretado por Margarida Moreira e Tiago Fernandes, numa produção da recém criada companhia teatral “Below the Belt Teatro Co”.

   O programa descreve-o como «um explosivo e profundamente afectado estudo da alienação e do poder redentor do amor».

  danny vertical Sinopse :  Dois rejeitados da sociedade, Danny e Roberta, iniciam uma conversa hesitante sobre cerveja. Ele é um jovem auto-destrutivo que recorre mais à violência do que a razão; ela é uma jovem mulher divorciada arrastada pela culpa, cujo filho adolescente perturbado é agora educado pelos avós.

   Danny, conhecido entre os colegas camionistas como “O Animal”, parece incapaz de demonstrar emoção, enquanto Roberta, ainda assombrada pela memória de um abuso sexual por parte do pai, é desconfiada dos homens em geral …

   No final não há respostas fáceis, mas graças à habilidade e compaixão do dramaturgo, os personagens são capazes de navegar dentro de si .

 

 

 

festa cinema francês cartaz

   Já no campo do cinema, o acontecimento dominante é sem dúvida a abertura da 14ª Festa do Cinema Francês, organizada pelo Institut Français du Portugal e que se estende a sete cidades do nosso país, começando em Lisboa de 10 a 20 de Outubro.

   As sessões na capital centram-se no Cinema São Jorge (salvo sessões na Cinemateca e na Reitoria da Universidade de Lisboa), tendo sido seleccionados 46 filmes para exibição.

Agns+Jaoui+agnesjaoui   Como em anos anteriores, há uma madrinha da Festa escolhida que este ano será a realizadora, actriz e cantora Agnés Jaoui, a qual estará presente em Lisboa para a mostra, onde irá apresentar na secção Antestreia, o filme “Au bout du conte” (Sexta-feira 11, às 21h30).

Aproveitando a sua presença, haverá um concerto na discoteca Lux em Lisboa, a 17 de Outubro onde Agnés Jaoui cantará.

   Além desta antestreia, a edição deste ano conta no total com 19 filmes em antestreia nacional ou mundial, pois essa é uma vocação central da Festa, a de dar a conhecer ao público português a cinematografia francesa mais recente. São aí talvez os mais aguardados, “Jeune & Jolie” de François Ozon, “L’écume des jours” de Michel Gondry e “Henri” de Yolande Moreau.

   Graças ao ciclo “Paris no Cinema”, uma homenagem à beleza da capital francesa, será possível ver alguns dos maiores clássicos do cinema francês, como “Os 400 Golpes” de François Truffaut e “Petit à petit” de Jean Rouch em cópias restauradas. Essa secção é inaugurada com a antestreia do novo filme da realizadora Agnés Jaoui  “Au bout du conte/ E viveram felizes para sempre…?” (2013), cujo argumento co-escreveu com Jean-Pierre Bacri, e no qual é actriz (Sexta-feira 11 de Outubro às 21h30).claude-lanzmann-637x0-1

   Outro nome forte desta edição é do documentarista francês Claude Lanzmann, que virá a Lisboa apresentar o seu recente documentário “O Último dos Injustos”, sobre o Holocausto e sobre Benjamin Murmelstein, um judeu que terá colaborado com os nazis num dos campos de concentração. Ao documentarista irá ainda ser-lhe dedicada na Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema uma retrospectiva da sua carreira, com a projecção de alguns filmes seus, como por exemplo “Shoah” (1985). Paralelamente haverá uma masterclass com a directora de fotografia Caroline Champetier.

   E há ainda a secção “Universo da Animação” e o ciclo “Cinema e Literatura” em colaboração com a Universidade de Lisboa, bem como outras iniciativas a consultar aqui na programação da Festa.

 

   A terminar noticiemos que a abertura da Festa do Cinema Francês terá lugar na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, às 21h, com o filme “Camille Redouble” (A Segunda Vida de Camille) (2011) de Noémie Lvovsky,  com a presença da realizadora.

CAMILLE-REDOUBLE

   O filme, com argumento de Noémie Lvovsky, Maud Ameline, Pierre-Olivier Mattei e Florence Seyvos, tem como actores principais Noémie Lvovsky, Samir Guesmi, Judith Chemla e India Hair.

   Sinopse :

   Após 25 anos de casamento, Eric pede o divórcio a Camille. Na noite da passagem de ano, Camille regressa ao passado, aos seus 16 anos, à sua família, aos seus amigos, a Eric. Lá, revive as suas memórias, redescobrindo-as com a doçura e vivacidade da sua juventude.

   Um filme nostálgico, cheio de humor e fantasia, de que este é o filme-anúncio :

 

 

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