A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Com organização de Vanda Anastácio e integrada no projecto “Portuguese Women Writers – Escritoras Portuguesas (1500-1900)”, acaba de sair esta monumental antologia (Relógio d’Água, 2013), inesperada e por isso considerada “improvável”, que pretende preencher a lacuna de referências a figuras femininas nas “Histórias da Literatura Portuguesa”, das quais praticamente não se fala antes da contemporaneidade. E todavia, como aqui se demonstra, foi significativo o número de «mulheres com papel activo no campo literário português dos séculos XVI a XIX”, como a investigação levada a cabo a partir de 1990 acabou por demonstrar.
Escrita: Discursos Femininos”, onde se destaca a secção “Ficção narrativa”, com excertos de Sóror Maria do Céu (1658-1753), por exemplo; e sobretudo a parte relativa a “Poesia, Profana, Sacra, Política e de Circunstância”, sobressaindo os casos de Bernarda Ferreira de Lacerda (1595-1644), de Sóror Violante do Céu (1601-1693), de Teresa Josefa de Melo Breyner (1739-depois de 1793), de Catarina Micaela de Lencastre (1749-1824), de Leonor de Almeida Portugal, Marquesa de Alorna (1750-1839) ou de Leonor da Fonseca Pimentel (1752-1799). Sobre esta última, de que a antologia transcreve apenas um soneto, em italiano, endereçado à Marquesa de Alorna, sabe-se, porém, que a sua poesia tratou temas de carácter político, amoroso e até sexual, e que L. Pimentel defendeu os ideais da malograda república napolitana de 1799, sendo por isso enforcada na Praça do Mercado, em Nápoles, cidade onde viveu a maior parte dos seus anos. Conhecida como “A Portuguesa de Nápoles”, sobre ela escreveram grandes nomes como Benedetto Croce, Maria Antonietta Macciocchi (“Cara Eleonora”) ou Enzo Striano (“Il resto di niente”), um romance adaptado depois ao cinema tendo como protagonista Maria de Medeiros.