SERÁ QUE NÃO ASSISTIMOS JÁ A ESTE ESPECTÁCULO? OS RESULTADOS PASSADOS NÃO SÃO NENHUM GUIA PARA OS RESULTADOS FUTUROS – Por DANIEL ALPERT

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Primeira Parte

Daniel Alpert, Westwood Capital, LLC, Research

“Há indicações bastante claras, no mercado de acções na semana passada, que, mesmo os profissionais de Wall Street estão a considerar  como um  estado de espírito em que eles procuram ver  as coisas como elas se apresentam  e não necessariamente como eles gostariam que elas se apresentassem. Não há muito mais do que um mês atrás, era este o estado de espírito; analisando  com muito cuidado os resultados reais da produção, comércio e emprego e tentando descobrir, a partir desses factos tangíveis, quando é que o  ponto de viragem para  melhor poderia mais  provavelmente aparecer. Mas o “profissional” inquieto  está cansado disto. Ele pode ter pensado seriamente que o dinheiro barato em Wall Street uma vez mais  e automaticamente fará reviver um boom de negócios, independentemente de todas as outras influências.

Fonte: The New York Times – Opening paragraph of Financial Markets: A Changing Mood In Wall Street –  Stocks and the Problems of Trade, April 21, 1930, four days after the DJIA hit the peak of the recovery  rally about six months after the great crash of 1929…a level it was not to see again for nearly a quarter  century (full article appended to this report).

Pode-se realmente ter acreditado  que o mercado de acções pode ser uma actividade  independente e não se preocupar com as vicissitudes do comércio. Possivelmente, embora não em si mesmo, pelo menos o último iludido em qualquer hipótese, pode ter imaginado que o público cliente não teria o senso suficiente para ver a falácia. De qualquer forma, uma pretensão ousada estava a ser colocada no regresso da bolha  especulativa. “

O New York Times – nas suas primeiras palavras na secção de abertura dos  mercados financeiros escrevia: A mudança de humor em Wall Street – os valores na bolsa  e os problemas do volume de transacções , em 21 de Abril de 1930, quatro dias após o DJIA atingiu o pico de recuperação e com apenas  seis meses depois do grande crash de 1929… um nível que não será visto  novamente durante cerca de  um quarto de século (artigo completo anexado a este texto).

Uma visão geral

Cerca de seis meses depois de se ter atingido o mais baixo ponto do Dow Jones Industrial, uma queda de 50% relativamente ao valor mais alto alcançado com a bolha, este índice subiu cerca de  48% relativamente agora relativamente ao seu ponto mais baixo a que caiu. Especulava-se sobre a hipótese de se vir a estar num futuro próximo com um mercado em alta o que deu origem ao retorno de capitais ansiosos  e que antes se tinham anteriormente assustado como tinham igualmente assustado os especuladores. A ameaça do desemprego redefinia  o quadro económico de uma maneira que não tinha sido vista até desde há  décadas. O Federal Reserve e os bancos estavam a baixar o custo do dinheiro para os mutuários que ainda eram  capazes de contrair empréstimos. Os corretoras estavam de novo a receber os seus antigos empregados que anteriormente tinham sido despedidos e em massa. Os gestores de fundos de  investimento estavam furiosos – a investir em activos que supostamente estavam a preços considerados  de subavaliação dos activos correspondentes. Os títulos mais conhecidos estavam a ser muito procurados  enquanto as conversas abundavam sobre o muito dinheiro que estava a chegar ao mercado vindo de novos investidores. Os lucros das empresas estavam em queda mas Wall Street  estava as agarrar-se ae a difundir todo e qualquer sinal  de ligeira melhoria no campo industrial que se tenha mantido no trimestre anterior e ao mesmo tempo que ignorava quaisquer notícias desanimadoras.

Poderíamos ter adivinhado que, pela nossa vivência muito tensa, o que se segue tem sobretudo a ver com a “esperança” na retoma  de 1930. De modo muito franco, dizer que isto é assustadoramente parecido com  uma descrição das condições de mercado hoje (pelo menos até esta semana) é um puro eufemismo. Assim, em vez de fazer parte da maré de pessoas que massivamente irão comemorar o aniversário do ano de 2008 como o “Outuno da Ansiedade”  estamos a oferecer esta esta reflexão sobre o  80º  aniversário  dos acontecimentos que se verificaram em 1929-1930. Não se trata pois de nenhum esquema tipo Santayana acerca de estarmos  condenados  a repetir o passado de que nos já esquecemos, mas sim de uma certa história bem  interessante mesmo e que  certamente não pode irá obrigar os  participantes do mercado e os decisores políticos a lembrarem-se dela (1).

Esta é uma semana de férias e de contemplação no final de um verão interessante. Quando temos tempo para descansar e pensar, temos também o tempo para reflectir, para nos conseguirmos inspirar, igualmente.  Esta peça resulta de uma tal reflexão – uma curiosidade sobre como o comportamento actual dos mercados se pode  comparar  com os comportamentos havidos na situação de caos económico dos anos 30 e sobre as equivalências de comportamento encontradas.  Assim, com as possíveis  diferenças quer a nível dos mercados quer a nível macroeconómico relativamente ao actual estado da situação  a serem  postas relativamente de lado,  procuramos analisar a história  para iluminar o nosso presente. E – muitos de nós poderemos ser levados a acreditar  que a própria história se repete muito mais fielmente do que o que poderíamos ter pensado, como é o caso presentemente em análise  – possivelmente poderemos assim lançar alguma luz sobre o futuro já bem próximo.

Uma palavra de cautela: nós estivemos para dar como  subtítulo a este ensaio  “Olhe para baixo “, mas pensei melhore sobre  questão. Enquanto acreditamos que o grau de recuperação nos mercados accionistas neste verão era um triunfo da esperança sobre a razão,  nós, para já,  advertimos o leitor a não tirar a conclusão menos-do que-tentadora que tudo está a ir  para o inferno metido num  cesta de mão. O mundo hoje é, naturalmente, muito diferente do que  existia em 1930. Mas mesmo as mais agressivas  euforias de mercado  podem ser seguidas ou acompanhadas  por uma profunda e séria reflexão, o que vamos tentar aqui fazer . Quaisquer conclusões possíveis, essas deixamos-las para os nossos leitores.

(continua)

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(1) – George Santayana is best known as a historian. He’s famous for his observation on the importance of studying history to understand it, and getting it right: “Those who cannot remember the past are condemned to repeat it.

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