Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Hoje, a Democracia está em perigo[1]
Hoje, escandalosamente, o nosso governo está encerrado, imobilizado. Isto é o facto mais importante à cerca desta imobilização: isto não é realmente sobre o financiamento do governo.
Democratas e republicanos concordaram num dado nível de financiamento a curto prazo para o governo federal. Este nível é doloroso para os democratas, uma vez que exige severos cortes nos serviços de governo – para níveis baixos do que aqueles que foram primeiramente propostos até mesmo por Paul Ryan. Mas, juntamente com quase todos os democratas no Congresso, estou disposto a aceitar este resultado temporariamente para manter o nosso país em funcionamento.
No entanto a facção do Tea Party insiste que obstruirão um qualquer projecto de lei de financiamento, a menos que nele se inclui a revogação da reforma da saúde do Presidente Obama.
Talvez esteja a apoiar a reforma da saúde; talvez não a esteja a apoiar. Mas uma coisa é certa: foi devidamente aprovada, e o Tea Party não dispõe dos votos para revogá-la pelos meios normais, pelos meios democráticos.
Assim, eles estão a tentar uma alternativa aventureira, imprudente e antidemocrática. Através do bloqueio do governo e de estarem a ameaçar levar a América para uma situação de incumprimento eles esperam causar tanto mal que o Congresso e o presidente sejam forçados a vergarem-se aos seus desejos políticos, à sua vontade.
Mas se uma facção de uma dos partidos pode derrubar qualquer lei devidamente votada e aprovada, o que será a sua próxima exigência? A privatização da Medicare? Cortes nos impostos para milionários? A abolição do salário mínimo ou do Ministério da Educação? Talvez, se o leitor for um republicano conservador, pode ser que goste desta mudança de políticas lhes sejam agradáveis, mas então tenha em mente que uma facção rebelde liberal poderia utilizar a mesma pressão para exigir a aplicação de políticas que seriam o oposto das que o leitor poderá agora estar a defender.
Se esta estratégia for bem-sucedida e for legitimada, então os EUA tornar-se-á essencialmente um país ingovernável. A nossa política pública será determinada, não pelo consentimento e aprovação das pessoas, mas sim pela vontade de facções minoritárias dispostas a infligir ao povo americano todo o sofrimento que seja necessário para alcançarem os seus fins.
Isto não pode acontecer. E esse comportamento ultrajante é a razão pela qual não devemos dizer que o “Congresso” causou esta paralisação do governo, porque dizê‑lo assim permite que os culpados escapem às suas responsabilidades. Nós devemos responsabilizar os poucos imprudentes que estão a tentar destruir a nossa Democracia.
Rush Holt, Reckless and Undemocratic, texto disponível em : http://holt.house.gov/
http://holt.house.gov/index.php?option=com_content&task=view&id=1221
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[1] O título é nosso

