Parece que está a ser posta em prática a ideia que circulava há já mais de um ano de o BCE assumir a supervisão bancária dos bancos mais importantes dos países da União Europeia. Vejam em:
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3491946
e também
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=52361
Começa portanto por exames de balanço e testes, se bem se consegue entender. Os bancos centrais nacionais, no nosso caso o Banco de Portugal, vão perder as suas competências, pelo menos parte delas, a favor do Banco Central Europeu. Até já lá está o Vítor Constâncio (falámos em competência, não foi?), sem dúvida que para ajudar a preparar este novo passo.
Esta questão tem avançado a passo de caracol. De caracol convalescente, como dizem os humoristas de café, que são tão respeitáveis como os que não são de café. E é verdade que, sendo a integração bancária apontada como o próximo passo para da integração europeia, que é de estranhar tanto vagar. Sobretudo pelos que acreditam no futuro da União Europeia.
Parece que ainda há muita gente que acredita na integração europeia. Mas, vendo bem, talvez se devesse tirar desse número os que nela acreditam de manhã e à tarde defendem outra coisa. Veja-se o caso da Alemanha. Apontada durante muito tempo como a locomotiva da Europa, hoje em dia começa a aparecer quem defenda abertamente que é um peso excessivo para a União Europeia, e que a política alemã tem sido sobretudo no sentido de tirar partido da integração europeia, e não contribuir positivamente para ela. Opinião corroborada por muitos factos. Inclusive, factos relacionados com este problema da integração bancária.
E quanto ao Reino Unido? Como vai reagir a City à supervisão do BCE? Aceitá-la-á? É duvidoso. Entretanto os países periféricos, como Portugal, poucas ou nenhumas vantagens poderão esperar desta nova situação. Se é verdade que os bancos portugueses já são fortemente comparticipados por entidades de outros países, o facto de a economia estar em geral na mão dos bancos, combinado com outro, o de que estes se inclinam sempre para apoiar os países mais poderosos, não dá margem de manobra. A não ser talvez para os que acham que, atrás da integração económica e financeira, vem a integração política. Não deveriam falar antes em anexação política?

