A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Ontem, antes de sair de casa, pesei-me com e sem a bagagem: dá dez quilos de diferença. Trago o mínimo dos mínimos, porém a mochila vazia já pesa um quilo, o saco-cama outro quilo, preciso de um impermeável, de polainas para a chuva, do telemóvel e seu carregador, da máquina fotográfica e seu carregador, de um caderno, de um púcaro, de uma colher, de um canivete, de produtos de higiene… Transporto o que qualquer indivíduo com dois metros de altura também transporta: o indispensável. Mais quilo e meio de comida que não encontrarei nas mercearias. Quinze doses de leite em pó e chocolate que, mesmo no albergue mais isolado, bastará despejar em água, de preferência quente, para obter uma bebida energética. Um pacote de flocos de aveia com frutos secos. Três sopas desidratadas. Um pouco de queijo. Ervas, especiarias, condimentos. Três tabletes de (excelente) chocolate preto. Mais o que hei-de hoje comer até chegar a Vilarinho. Três maçãs. Três sanduíches. Um pacote de biscoitos. A água. Acrescentemos portanto outro quilo e meio que irá diminuindo durante a manhã. Peso quarenta e seis; a carga equivale portanto a mais de vinte por cento do meu peso. Excessivo. A etapa do Porto a Macieira da Maia – Vilarinho – é de vinte e oito quilómetros…. Qual será este ano o padecimento? Lumbago?