A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Foi no dia 30 de Outubro de 1938, um domingo, pelas oito horas da tarde. Eram os dias da rádio – a televisão dava os primeiros passos. O locutor da cadeia CBS de Nova Iorque informou que ia ser transmitida uma versão radiofónica de A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells. A adaptação era obra de Howard Koch. A interpretação estaria a cargo do Mercury Theatre e de um rapaz pouco conhecido – um jovem actor chamado Orson Welles. Ocorreu, no entanto, um imprevisto – o dos ouvintes que ligaram ou sintonizaram os receptores depois do aviso – o “locutor” lia os comunicados com tal realismo que a meio da emissão, muitos milhares de pessoas que não tinham ouvido a informação inicial se convenciam de que o planeta estava a ser invadido por marcianos – telefonavam a amigos e familiares despedindo-se, reuniam-se com os vizinhos para rezar ou fugiam pelas ruas. Houve distúrbios e acidentes graves. Calcula-se que cerca de um milhão de pessoas foram afectadas pelo pânico colectivo – gente de todas as camadas sociais e de todos os níveis culturais.