É com esta filosofia que a Amnistia Internacional vai intervir em escolas portuguesas. Providenciar o conhecimento e a compreensão dos direitos humanos, aprender e ensinar de um modo que respeite os direitos humanos e capacitar as pessoas para fazerem uso dos seus direitos e para respeitarem e garantirem os direitos dos outros. É o projecto Escolas Amigas dos Direitos Humanos, que visa transformar as instituições de ensino em espaços que educam para os direitos humanos.
Este projecto surgiu no contexto do Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos, lançado pela Organização das Nações Unidas em Dezembro de 2004.
Uma escola amiga dos direitos humanos é definida como: uma comunidade em que os direitos humanos são ensinados, aprendidos, respeitados, protegidos e promovidos; um espaço em que todos são encorajados a participar e onde a diversidade cultural é valorizada; um contexto educativo onde os valores e os princípios dos direitos humanos estão no centro da experiência de aprendizagem e presentes nas principais áreas da vida da escola.
O objectivo é que façam parte do dia-a-dia da escola valores como a democracia, a igualdade, a não discriminação, a justiça e a responsabilidade. Tal implica reformular e adaptar regras, práticas e vivências, tornando a escola mais plural, participativa, diversa e inclusiva. Mudanças que passam pelo envolvimento de todos, alunos, encarregados de educação, professores e pessoal não docente, embora exista em cada escola um professor coordenador.
Destina-se a alunos do ensino secundário. As Escolas Amigas dos Direitos Humanos comprometem-se a efetuar mudanças em 4 áreas de intervenção: administração e gestão, relações dentro da comunidade escolar, currículos e ambiente/espaço escolar.
A secção portuguesa da Amnistia Internacional acompanha as Escolas Amigas dos Direitos Humanos, prestando informação e fornecendo todos os materiais necessários.
São estas as escolas que participam no projecto piloto que começa em Portugal no ano lectivo 2013-2014:
Agrupamento de Escolas do Levante da Maia (na Maia, Porto); Escola Secundária Dr. Serafim Leite (em S. João da Madeira, Aveiro); Escola EB 2,3/S Pedro Ferreiro (em Ferreira do Zêzere, Santarém); Escola Secundária Gama de Barros (no Cacém, Lisboa); Escola Secundária Professor Reynaldo dos Santos (em Vila Franca de Xira, Lisboa).
Este projecto já decorre em 20 países (Dinamarca, Hungria, Irlanda, Polónia e República Checa), África e América Latina.
O Benim, o Gana e a Polónia são desde logo um bom exemplo, pois nas Escolas Amigas dos Direitos Humanos o bullying diminui de forma clara. Na Irlanda, o projecto criou um Centro de Aprendizagem de Línguas, que dá aulas gratuitas de albanês, árabe, romeno e urdu e combate a marginalização dos alunos imigrantes.
Vamos esperar os resultados.

