Nota prévia:
Para ouvir os poemas de Vinicius de Moraes (os recitados e os cantados), há que aceder à página
http://nossaradio.blogspot.pt/2013/10/celebrando-vinicius-de-moraes_29.html
e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.
A ROSA DESFOLHADA
Poema: Vinicius de Moraes
Música: Toquinho (Antônio Pecci Filho)
Intérpretes: Toquinho e Vinicius de Moraes* (in LP “Toquinho e
Vinicius”, Discos RGE, 1971, Random, 1993, reed. Universal, 2001)
[instrumental]
Tento compor o nosso amor
Dentro da tua ausência.
Toda a loucura, todo o martírio
De uma paixão imensa.
Teu toca-discos, nosso retrato,
Um tempo descuidado…
Tudo pisado, tudo partido,
Tudo no chão jogado.
E em cada canto
Teu desencanto, tua melancolia.
Teu triste vulto desesperado
Ante o que eu te dizia.
E logo o espanto e logo o insulto,
O amor dilacerado.
E logo o pranto ante a agonia
Do facto consumado.
Silenciosa ficou a rosa
No chão despetalada.
Que eu, com meus dedos, tentei a medo
Reconstituir do nada.
O teu perfume, teus doces pêlos,
A tua pele amada.
Tudo desfeito, tudo perdido,
A rosa desfolhada.
* Arranjos – Briamonte
Produção – Toquinho
Coordenação – J. Shapiro
Técnico de gravação – Milton Rodrigues
BOM DIA, TRISTEZA
Poema: Vinicius de Moraes
Música: Adoniran Barbosa
Intérprete: Maysa* (in LP “Convite para Ouvir Maysa n.º 2”, Discos
RGE, 1958; 4CD “Simplesmente Maysa”: CD2, Som Livre, 2000)
Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar
* Arranjos e regência – Enrico Simonetti
A FELICIDADE
Poema: Vinicius de Moraes
Música: António Carlos Jobim
Intérpretes: Maria Creuza, Vinicius de Moraes* e Toquinho (in LP “Vinicius de Moraes en ‘La Fusa’ con Maria Creuza y Toquinho”, Diorama, 1970, reed. DiscMedi, 1995, RP Music, 2006)
* [Créditos gerais do disco:]
Toquinho – guitarra
Mario “Mojarra” Fernandez – contrabaixo
Enrique “Zurdo” Roizner – bateria
Fernando Gelbard e “Chango” Farías Gómez – percussão
Produção – Alfredo I. Radoszynski
Gravado nos Estúdios ION, Buenos Aires, em Julho de 1970
Técnico de gravação – Gerd Gaumgartner
Direcção de gravação – Mike Ribas
As RAZÕES DO CORAÇÃO
Poema: Vinicius de Moraes
Música: Toquinho (Antônio Pecci Filho)
Intérprete: Vinicius de Moraes* (in LP “Vinicius/Toquinho”, Philips,
1975, reed. Universal, 2001, 2012)
[instrumental]
É uma saudade tão doída de você
Que eu não sei mais nada, não.
E é isso aí sempre que o amor não pode ser,
Sempre que a distância pode mais que o coração.
Olhos que se olham mas que não se podem ter,
Mãos que estão unidas mas não estão.
Olhe, meu amor, tudo que eu quero é não sofrer
Mais uma separação.
Fomos enganados pelo tempo,
Teu amor chegou tarde demais.
E o amor é sempre um sentimento
Que a separação não deixa em paz.
Pode ser assim, mas quem sou eu p’ra resolver
As razões do coração.
Olhe, meu amor, tudo que eu quero é nunca ser
Mais uma recordação.
[instrumental]
Pode ser assim, mas quem sou eu p’ra resolver
As razões do coração.
Olhe, meu amor, tudo que eu quero é nunca ser
Mais uma recordação.
* Produção – Fernando Faro
ONDE ANDA VOCÊ?
Poema: Vinicius de Moraes
Música: Hermano Silva
Intérpretes: Vinicius de Moraes* (in LP “Vinicius/Toquinho”, Philips,
1975, reed. Universal, 2001, 2012)
[instrumental]
E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam os seus olhos
Que a gente não vê?
Onde anda esse corpo
Que me deixou morto
De tanto prazer?
E por falar em beleza
Onde anda a canção
Que se ouvia na noite
Dos bares de então
Onde a gente ficava
Onde a gente se amava
Em total solidão?
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares…
Onde anda você?
[instrumental]
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares
Que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares…
Onde anda você?
* Produção – Fernando Faro
MODINHA Nº 1
Poema: Vinicius de Moraes
Música: Toquinho (Antônio Pecci Filho)
Intérprete: Toquinho* (in LP “Vinicius canta ‘Nossa Filha Gabriela'”,
Polydor, 1972, reed. Universal, 2001, 2013)
[instrumental]
Mulher, ouve o meu desespero,
É só teu meu inteiro amor.
Oh, vem, tem um gesto e perdoa
A demência do teu cantor.
Ai, como pode um pobre poeta escravo
Padecer o travo de um doesto injusto,
Só um dissabor.
Ai, como pode tanto amor vivido
Merecer o olvido, suportar o agravo
Do teu desamor.
Mulher, abre a tua janela,
Aqui vela o teu trovador
Que em pranto soluça
Os seus últimos cantos
Ao nosso amor.
Vem e debruça tua imagem linda
Sobre o triste poeta que soluça ainda
De não ver-te mais.
E abre o teu quarto aos passos meus, amantes,
Para como dantes, nossos delirantes
Beijos abismais.
* Produção – Cayon J. Gadia
