EDITORIAL – OFERECE-SE TRABALHO, NÃO EMPREGO

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Na linguagem do dia a dia, costuma dizer-se, quando alguém procura uma colocação profissional para ganhar a sua vida, que está à procura de emprego e não de trabalho. Faz-se assim uma dicotomia entre, por um lado, a situação de ganhar a vida por necessidade e não por gosto, e, por outro lado, a situação de exercer um trabalho porque se tem gosto pessoal nas tarefas que são requeridas, e para além da remuneração, tira-se prazer desse exercício e de ver o respectivo resultado. São posições diferentes, para não dizer opostas. E com certeza que há quem desempenhe tarefas apenas por gosto, sem recompensas económicas. Mas o facto é que a maior parte, a grande maioria, das pessoas tem de trabalhar para viver. Entretanto ultimamente tem crescido o número de situações que poderão ser tidas como semelhantes à descrita abaixo:

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O post acima circula na internet há já algum tempo.  Mesmo que não corresponda a nenhuma situação concreta, e tenha intenções humorísticas, há que reconhecer que não é difícil encontrar à nossa roda situações como a descrita no anúncio do restaurante. Entretanto, no recorte abaixo reproduzido está-se claramente perante uma situação de oferta de  trabalho não remunerado.

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Sugerimos entretanto a leitura no site dos Precários Inflexíveis – Associação de Combate à Precariedade, do artigo  “Vantagens de um estágio não remunerado” – Carta ao Director do Expresso, Ricardo Costa, saído a 1 de Novembro, e acessível através do link:

http://www.precariosinflexiveis.org/?p=8574

O artigo do Expresso em questão está acessível em: http://expresso.sapo.pt/vantagens-de-um-estagio-nao-remunerado=f838040

Ignoramos se a carta dos Precários Inflexíveis já foi publicada no Expresso. Quanto ao artigo, da autoria de Maria Martins, a quem pedimos desculpa mas temos de lhe dizer que, se escreveu o artigo plenamente convicta do que lá pôs, não conhece minimamente o mundo e a vida, e ainda menos aquilo a que se chama o mercado de trabalho. Na realidade os estágios não remunerados transformam-se frequentemente em formas de obter trabalho gratuito. Na maior parte das vezes, não são estágios nenhuns. são formas encapotadas de obter trabalho de graça. Inclusive, estão regulamentados por lei, conforme refere a carta dos Precários Inflexíveis a Ricardo Costa. O segundo recorte acima reproduzido está apresentado em termos que sugerem a violação da lei.

Esperemos que não estejamos perante mais um caso de uma lei em desuso. É verdade que estamos numa época de violação da lei a todos os níveis, sobretudo quando defende os direitos dos trabalhadores, dos desempregados, dos aposentados/reformados, e dos desfavorecidos em geral. Há quem negue que, por detrás desta investida, estejam problemas ideológicos. É fácil ver que estão mesmo ideologias muito vincadas e bem instaladas, a suportar estes ataques à grande maioria das pessoas. Que gosta de trabalhar, mas precisa de emprego para angarias a sua vida. E de emprego decente, que dê para pagar mais alguma coisa para além do transporte e da bucha para o almoço.

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