
Sonho, céu azul, eu plantado no Paraíso… Desnuda e loira, apontando para mim, uma ninfa rebola e declama:
– Lei que songe senteportas do sedejo
aganha salgadada rogadece
ameia que temolve e tamortece.
Reti. E mavetido mavetejo
ana veturna a corbicar avexo
vatico sena toncha toda texo.
Fico atordoado, não conheço aquela língua… Airosa, eis que surge outra ninfa, desnuda porém morena. Segreda ao meu ouvido e eu traduzo, eu assopro:
– Sei que longe, entre portas do desejo
a aranha da saudade agora tece
a teia que te envolve e te adormece.
Parti. E repartido me revejo
ave noturna a debicar o nexo
cativo nessa concha do teu s
Quero viver, mas para sempre, no Paraíso: sonho azul…

Beleza! Fernando Correia da Silva, tua lírica e sonora ironia ressoa e reverbera…
abraço,
Rachel Gutiérrez