Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota
PARTE IV
(CONTINUAÇÃO)
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Sobre a plantação de árvores:
Mesmo historiadores pro-Roosevelt como William Leuchtenburg e Doris Kearns Goodwin aceitaram facilmente o fato que milhões de pessoas que trabalharam nos programas workfare do New Deal fossem consideradas como desempregadas, enquanto milhões de alemães e japoneses em situações comparáveis e, até mesmo, franceses e ingleses, recrutados para as forças armadas e para as indústrias de produção de material de defesa na meados e no final dos anos 1930, eram contabilizados como empregados.
Limpeza das florestas:
Ou a protegerem as florestas:
Legenda: Civilian Conservation Corps enrollees on the fire line in a big forest fire in the west
Esse episódio levou a que o balanço económico da administração Roosevelt não se apresentasse competitivo, contudo é bem mais racionalmente sólido argumentar que as pessoas a exercer funções em programas de conservação e de obras públicas do governo eram na realidade verdadeiros empregados e, muito mais úteis do que os recrutas que constituem a guarnição dos diversos estados, enquanto Roosevelt estava a reconstruir a América a um custo historicamente muito baixo.
Legenda: Tennessee Valley Authority, Watts Bar Dam and Watts Bar Steam Plant, “Dams under construction.”
Legenda; Tennessee Valley Authority Wilson Dam in Alabama
Mesmo perante a hipótese de a parcela de americanos que se encontravam a trabalhar no quadro do programa de Roosevelt serem considerados desempregados, a Administração de Roosevelt reduziu o desemprego de 25% em 1933 para 9% em 1936, valor este que subiu até 13% em 1938 (devido, em grande parte a uma inversão do intervencionismo orçamental que caracterizou o primeiro mandato do FDR), tendo vindo a alcançar menos de 10% no final de 1940 e depois menos de 1% um ano mais tarde, quando os EUA estavam mergulhados na II Grande Guerra Mundial no final de 1941. As razões dessas discrepâncias nos dados do desemprego que historicamente surgiram sobre o ND devem-se ao facto de que o método de estimativa por amostragem para o desemprego feito pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) não foi desenvolvido até 1940, e portanto não aplicado, o que leva a que as anteriores taxas de desemprego até 1940, tenham de ser estimadas e isso conduz a algumas decisões quanto a certas opções de método.
A primeira questão de metodologia que se nos levanta é a de como considerar em termos de emprego as pessoas que estão a trabalhar nestes programas do New Deal. As séries oficiais contabilizam essas pessoas como desempregadas, com o resultado que aos historiadores de tendência conservadora lhes é dado munições com que tentam esmagar todo o New Deal. Christopher Wrestley, por exemplo, argumentou: “Até ao meio do segundo mandato de FDR , o fracasso das políticas do New Deal era evidente para todos, o que era verdadeiramente dececionante. A taxa de desemprego alcançou novamente níveis associados aos que se verificaram no tempo do odiado Hoover, enquanto a tolerância do público face aos pretensiosos defensores do New Deal e as suas tentativas intermináveis para controlar a economia atenuou, tinha claramente diminuído. “(Wrestley, 2001).
(continua)
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Para ler a Parte III deste trabalho de Marshall Auerback, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:
http://aviagemdosargonautas.net/2013/11/06/tempo-para-um-novo-new-deal-por-marshall-auerback-3/



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