SONHO CREPUSCULAR – conto de António Augusto Sales

Um Café na Internet

Nunca falei a alguém deste sonho. Aliás, foi coisa perfeitamente dispensável. No entanto, fiquei de tal modo impressionado que, ao ser interrompido pelo acordar, tomei dele apontamentos antes de se apagar da memória como geralmente acontece.
Durante anos manteve-se silencioso entre papéis até despertar da sua forma amorfa reconduzindo-me à clareira daquele bosque de pinheiros aconchegados à luz prateada da noite lunar. Os elementos recuperados da bruma do sono pediam-me a sequência iniciada no campo vestido de sombras a transformarem troncos de pinheiros numa espécie de exército petrificado. Anjos transportam memórias dos tempos da inocência, raízes fixadas no espaço do destino. Sente-se o sopro da natureza subindo o corpo das árvores vestidas de um verde esmalte raiado de estrias quais linhas observadas na celulite da pele das mulheres.
Há um sossego branco sentado comigo nas mesas que adornam o respirar da noite. Alvas mesas, muitas mesas, destacam-se sólidas, firmes, lisas, imaculadas. Mesas redondas, quadradas, retangulares. Redondas a representarem a confluência das forças telúricas e o conhecimento instintivo; quadradas a significarem a passagem daquele à consciência e à iniciação intelectual; retangulares configurando a tábua mística da revelação.
O arco da lua enquadra a infância na ingenuidade das vozes cantantes a soletrarem o pensamento solto pelo ritual dos gestos, assim conquistando a luz da consciência. Não é a idade de ouro dos alquimistas mas a do enigma original transportando o segredo de vidas ancestrais guardado na estrela que atravessa o cosmos para aqui repousar o seu brilho diamantino. Na poeira levantada pelas charruas, abrindo sulcos na alma das gentes, perdem-se recordações da beleza e do amor que foram berço da serenidade inicial.
Em um única nessa cintila a chama vermelha de uma vela como se fora apelo de pecado a ferir a alma de incertezas. Encontro-me só embrulhada na indolência suspensa dos ramos da inquietação. Guardei-me de branco (camisa, sapatos e fato), para este encontro dominado pela imponderabilidade de um astronauta a rascunhar hipérboles na cápsula do amor onde colho os frutos que conferem razão ao sonho e
Abandono o bosque maravilhoso das brincadeiras participadas pelos anjos protetores e inicio a navegação do rio da aventura de cujas águas surge a deusa mensageira, senhora do obscuro domínio dos sentidos, para anunciar o fim da divina harmonia e o começo da peregrinação sensorial. Desenha-se no espaço a silhueta feminina transportando a lira de Orpheu cujos acordes têm o condão do encantamento. Aguardo a proximidade do seu corpo incitando romper o percurso iniciático da juventude na descoberta dos segredos terrenos. Há quanto tempo aguardo esta mulher anunciada quando me encontrei, pela primeira vez, com a palavra amor e a procurei desvendar letra após letra?
Corre em mim um murmúrio de águas alegrando ribeiros e alimentando fontes numa vibração doce a embalar ilusões. Vindas de fora do nosso sistema solar descem figuras dispostas a descobrirem a razão humana das mossas desumanidades. Nada me impedirá, porém, de cumprir o castigo mitológico de Sísifo por mais traiçoeiras que sejam as montanhas, desde que te encontres a meu lado. A tua presença permitirá a cicatrização das feridas do meu corpo, serás o refúgio das minhas dores, o perdão das blasfémias do pensamento, o repouso da alma submetida ao martírio de viver. Desconheço quem és mas serás a minha guia, a minha deusa, o meu tormento capaz de toda a bondade e todo o desvario no roteiro que oscila, como ponteiro de bússola, entre a luz da consciência e a cupidez dos sentidos.
Oh, suprema provação! Luz prata a rasgar a inquietude do meu espírito que adivinha no traço alado a beleza do corpo pronto a franquear a entrada do templo de Delfos. Aguarela de formas; apelo magnético de femininos encantos; misto de mulher e deusa estendendo as mãos de um oval perfeito, revelando a sensibilidade extra-sensorial como se tudo quanto executamos tivesse um lado oculto.
Desço o desfiladeiro da noite mística onde se confundem as falsas sombras da virtude com o insubmisso chamamento da libido anunciando o desejo ao som dos tambores da tentação. De nada serve a lei da suprema sabedoria perante as armadilhas montadas pela divindade do tempo ao longo do percurso. Os musgos e as ervas perderam a suavidade dos verdes substituída pela tormenta das cores violentas que percorrem a espinal-medula num vento de sensações estranhas.
Narcotizada a pureza dos sentidos sacode-me a lasciva visão do corpo cujo contorno perdeu a harmonia da paleta de Degas para renascer na opulência sensual das mulheres de Renoir. A aura poética dos cânticos espirituais dilui-se no fogo das coxas a despertar fantasias, transformando a intocável visão da inocência num perturbador perfume de pecado. Vestal do meu tempo de suplicação as suas mãos erguem sobre a minha cabeça a vela de chama vermelha, símbolo dos elementos terrenos representativos do prazer e da dor. Hora cega de arrebatadas vivências; rota de obsessões carnais escorrendo pelas paredes de casas; moldura de rua imensa onde vegeta o arraial humano. Casas estranhas de ocre pintadas, escondendo estigmas de desgraças antigas; casas de portas estreitas e paredes sem janelas para que a luz não desperte as almas sepultadas no interior da sua solidão; casas de telhados negros e simetria de pobreza reinante na anarquia do grande circo noturno.
Perturbadora exuberância de vozes e gestos no mercado de gente em contínuo vaivém; enxame envolvente de homens, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, formando um bestiário onde cada um se entrega à libertação das emoções. A céu aberto frita-se peixe, batatas, pastéis; cozinham-se bifanas, cachorros, farturas numa embriaguez de cheiros a dilatarem as membranas nasais. Na ácida atmosfera irrompem vozes bêbadas do álcool, droga e sexo, interpretando canções de esgoto. Movimentam-se seres frenéticos, drogam-se outros encostados a paredes, alguns suspendem-se dos telhados balouçando-se numa só mão imitando símios.
Olha os que vendem, cambiam, trocam, jogam! Em tábuas e banquetas expõem-se as doses que os desgraçados vêm suplicar. Todos desejam a euforia do instante, a loucura emprestada, o delírio oculto de sub-mundos. Mulheres arrebatadoras dispõem armadilhas onde cairão as presas; aventureiros atropelam-se lançando cartas e dados que prevêem o futuro; chulos com crucifixos ou medalhas de Nossa Senhora de Fátima pendurados ao pescoço em grossos fios de ouro, recebem dinheiro das putas por sua conta; traficantes de máscaras existenciais aguardam em cada esquina incautos compradores. Escumalha da vida apostando a sorte da fortuna dos que se entregam em suas mãos grossas, boçais, dedos carnudos e sebentos carregados de anéis, dedos sórdidos movimentando-se como tentáculos, dominando as vítimas a fim de lhes sugar as almas; dedos viscosos e depravados que gostam de mexer no estrume humano: roubam, sacam, matam essas mãos ameaçadoras pela configuração primitiva de bestas amestradas. Bichos saindo das alfurjas da vida, ávidos de ambição, vorazes de opulência, sedentos de poder a faiscarem nos buracos dos olhos. Cambiam dignidade por dinheiro, trocam as mulheres por dinheiro, vendem filhos por dinheiro, corpos por dinheiro, fígados, corações e órgãos por dinheiro, guerras por dinheiro. Não lhes basta o luxo, nem a gula, nem a força, nem a posse pois seguem a corrente dos desejos. Vejam como se espojam de gozo mergulhando no festim da corrupção quais gorilas vomitando chamas onde os corpos ardem no calor do próprio fogo.
Neste universo a multidão liberta a cupidez dos instintos. Caminho da senhora dos meus passos abrindo rota por entre manifestações de luxúria expostas como num quadro de Jerónimo Bosch. Romaria de devassidão em poses alucinadas, o suor engordurando a pele, cobrindo-a de uma película brilhante que atrai os indefesos corpos. Mulheres com seios descobertos, oferecidos a quem passa, para os afagar e beijar; dedos espremendo tetas volumosas donde goteja um leite espesso que bocas famintas de crianças sorvem com sofreguidão. Na cegueira da noite procuro vaga-lumes da alma para me protegerem destes homens procurando fêmeas que satisfaçam os pénis grossos e eretos por masturbações contínuas e me resguardem do cheiro almiscarado das putas abrindo as coxas a fim de mostrarem as carnudas vulvas onde a saliência fluorescente dos clítoris espera carícias que acalmem a fogueira da excitação.
Emudece o canto das sereias, a seiva deixa de correr no caule das plantas, tombam os fios de sol suspensos das ramadas das árvores. Há um anel de gente de todas as cores e de todas as raças transportando faces animalescas da gesta de viver. Afogam-se na fúria dos seus atos, no egoísmo das suas atitudes, nas trevas dos seus apetites, no fosso da promiscuidade. A libertinagem mórbida liberta na atmosfera o cheiro enjoativo do sémen espalhando o pólen da tentação. As gargantas apregoam, relincham, grunhem, desafiam o pudor dos ouvidos com urros boçais num coro de recalcamentos.
À medida que avanço neste vale de corpos a minha dama perde as formas angélicas vislumbradas no verde campo dos pinheiros e ganha provocadores volumes carnais a agitarem no meu cérebro excitantes quadros eróticos. Para onde me conduzes nesta rua de todos os paroxismos onde o prazer se confunde com o sofrimento? Tudo quanto me rodeia tem a energia da matéria, atração que subjuga os sentidos e torna-me incapaz de resistir às assombrações da natureza. A quente e inquietadora languidez do corpo percorre células desafiando com fantasias a imaginação, envolvendo a vista de imagens perversas, açoitando o olfato com os cheiros ativos da fornicação, despertando no tato uma incontida vontade sensorial. O ópio da libertinagem altera as cores de Saturno e espalha um arrepio de insanidade no contacto com as formas lascivas a varrerem os caminhos da libertação. Os meus olhos percorrem o corpo que me arrasta nas trevas da desordem febril dos vícios acomodados como répteis aos vis prazeres da existência.
No fim da avenida ergue-se um antigo e amplo casarão rosa velho acomodado em dois pisos, no estilo colonial, templo de amor carnal onde me deixo conduzir. Forrado interiormente a vermelho carmim, o Salão Paraíso encontra-se repleto de gente plasmada no nevoeiro do fumo que confere à nudez o deleite relaxante que sucede ao orgasmo. Uma turba de homens e mulheres, espalhando-se em cachos, povoa de cenas provocantes o ambiente da ampla e da escadaria de mármore que conduz aos aposentos no primeiro andar. As roupas já de pouco servem nesta quermesse de favores sexuais, mas as jóias mantém sobre a alvura da pele o toque da tentação estimulada pelo envolvente som de velhas canções de cabaré.
O local é decorado por risos, vozes, gemidos, exclamações de euforia, onde passeiam sacerdotisas perfumando de incenso o campo apaziguado dos combates. Aspira-se o ferrete do amor transpirado caindo em gotas como se fossem pingos de orvalho suspensos das folhas do tempo. Os meus olhos espelham tentações de linhas e formas em atitudes promíscuas e ofegantes rompendo a atmosfera espessa de tabaco e devassidão.
Estandarte de vaidade e de prazer o sexo é objeto de culto condenado à equação da decadência. No purgatório da velhice ficará a morder restos de recordações mergulhadas no sangue turvo que corre pelas artérias do espírito. Tudo fenece menos o pêndulo dos anos demolidor da intemporalidade como se os anos não fossem secando a pele, mirrando os ossos, murchando os olhos, sugando a beleza da nudez até compactar cada ser num caixão de sucata. Na súbita visão do futuro os voluptuosos humanos animais que se espojam no luxo do Salão Paraíso são doentes, enrugados, esqueléticos, andrajosos, sujos, arruinados, tristes, escravizados ao peso dos séculos, mamas caídas e pichas murchas. Tipos bizarros iluminados por pinceladas loucas de uma luz branca e crua varrendo o cenário do presságio da finitude material.
Passa por mim o fascínio do amor obsceno submerso no calor da excitação da carne. A demência dos sentidos impele-me a descobrir os segredos do roteiro da luxúria atraindo-me para salas onde se estendem corpos desnudos em cenas dignas de um banquete romano. Palavras impuras desprendem-se no espaço estimulando, na agressão dos seus significados, o feitiço do arrebatamento: a pureza envergonha-se, a inocência extingue-se, a castidade morre.
No velho corredor do primeiro andar aguarda-me a guia desta jornada, o vestido vermelho aberto pela frente mostrando as pernas alvas e altas, lindas, que os sapatos de salto, traçados por presilhas brilhantes acima dos tornozelos, tornam esplendorosamente sexuais. Existe naquele corpo uma insidiosa hipnose de posse acumulando desejos e fantasias. A luz vermelha e velada suspensa do teto acentua o tom quente das paredes forradas a veludo carmim, envolvendo-me de de uma cálida pressão sanguínea a latejar no cérebro e no pénis dorido pela rigidez. Matéria bruta subjugada pela moldura renascentista da única porta onde se destaca o deslumbramento da nudez magnífica e pujante que esporeia a excitação.
Com as suas mãos divinas despe-me peça por peça com uma lentidão de sugestões. Atrai-me, percorre-me, acaricia-me, masturba-me o sexo dando-lhe vida e alegria, suspiro e alma até que se encontre enorme e hirto. As suas mãos passam um fino creme nos seios, massajando-os até que os mamilos se encontrem rijos e espetados. Porque os acaricias nessa dolente provocação e não deixas que seja eu a afagá-los? Beija-os, são os teus favos de mel. São eles que matam a fome após o nascimento, confortam as lágrimas da infância, despertam as tentações da puberdade, alimentam a virilidade da juventude. São eles que confortam os ímpetos da meia-idade, povoam os olhos da imaginação nas primeiras solidões do outono da vida e, quando gastos pelo tempo, embalam a paz da tua velhice.
Puxa-me! Encosta-se a mim, esfrega-se em mim, enfia-se em mim em um êxtase de bacante lambe-me e num sussurro irresistível pede-me. De pé abre as pernas para que lhe introduza o pénis ansioso e tudo se confunda em um impulso imenso e arrebatado. Sinto-lhe a pele incendiada a incandescer-me o corpo, as suas formas redondas a perfurarem-me os olhos de lascívia, a carícia da respiração ofegante, o odor marinho das axilas, a humidade inebriante da sua língua na minha boca; inclina-me a cabeça para lhe sugar os peitos, aperta-me pelos rins com a tesoura das pernas para que a penetre fundo e pede mais e mais e mais numa voz rouca entrecortada por gemidos de gozo. Desvaira, suplica, grita, arrastando-me para as profundezas da alquimia orgástica, latente na desordem do meu cérebro, até que os sons se tornam longínquos como se eu tivesse saído do meu corpo e flutuasse numa indescritível nuvem de prazer sem volume, nem forma, nem peso, nem ordem, nem espaço.
Ó solidão dos sentimentos nobres arranca-me daqui, deste fundo de mim que escraviza o corpo e crucifica o espírito! Retoma-me nos teus braços, não me abandones neste lodaçal de torturados seres para que encontre um refúgio onde possa existir. Ó minha estrela, anjo das minhas angustias, esposa dos meus momentos de benfazeja ternura, fada do meu sonhar de infância, senhora dos arroubos da minha puberdade, deusa dos cativantes idealismos da minha juventude, canta-me uma canção de ninar para eu sentir no meio deste delírio a esperança em reencontrar meu corpo de prata navegando à bolina pelos mares da tranquilidade.
O prazer é um martírio! No seu arrebatamento arrasta-nos numa espiral de exigências! Mesmo o prazer espiritual, o da virtude devota e mística, abriga-se das tentações da carne pela sua punição. Mas o prazer é também a satisfação da matéria filha da natureza, senhora do meu corpo e inimiga da castidade. Atravessei campos selvagens da existência habitados por exércitos de funâmbulos representando cenas da comédia da sobrevivência. Pavores não deparei, pânicos não tomei, mas há medida que o calendário corria no labirinto do tempo o pó ia-se decantando no meu rosto e marcando os sulcos da mortificante satisfação de existir. Dor e infortúnio da matéria como se o esplendor do corpo fosse o alfa e ómega da vida e não a cela do seu sacrifício a ditar agora o desejo de encontrar um espaço onde possa, com paz no coração, colher as flores da serenidade.
Enquanto a mulher de fogo se afasta diluindo-se no fulgor das chamas que a consomem há uma harmonia a sossegar os impulsos viscerais. Nem doçura de ninfa nem mulher lasciva; ela sumiu, desapareceu no longe das coisas e nada resta, nem cinzas feitas pó ou feitas nada no efémero planalto da memória. Manhã inicial a serenar das loucuras da vida cujas gigantescas dimensões fazem lembrar as misteriosas estátuas da ilha de Páscoa no seu virtuoso imobilismo. Como som dormente de violoncelo escuto o passado no vaivém de ondas de mar a morrerem na areia. Regresso, já não àquele campo verde povoado de pinheiros e mesas brancas mas ao outro de destroços que deixei para trás, resíduo de uma imensa várzea desprotegida de árvores, só arbustos num chão raso e irregular onde uma enorme ânfora milenar serve de apoio ao meu corpo fatigado.
Angústias despontam de buracos abertos em colossais paredes roídas pelos séculos e sustentadas por colunas de antiga imponência. Sedimentos de malogrados sonhos suspiram em lamento, não sonhos fugidios daqueles de dormir mas dos verdadeiros, dos consentidos que se acasalam connosco e vão sendo adiados até ficarem quietos e solitários a aquecerem-se dos frios da velhice. Pelas abóbadas ancestrais deslizam sombras, ecos de dores suportadas por antepassados, histórias que adubam a vida onde mergulho os pés como se fossem raízes amadas, troncos do meu caminho sulcado agora por diáfana luz azul.
Subitamente, a noite perde-se pendurada nos restos das estrelas que a madrugada apaga; o céu tornou-se límpido, de uma transparência cristalina que abraça de fragrâncias a manhã. Voar sobre as águas do tempo liberta-me da tragédia permitindo escutar a voz que aconchega o meu coração às vagas que arrastam os despojos do naufrágio da existência. Retomo a visão inicial da silhueta feminina, gentil e casta, acenando-me de longe em despedida, segura de que encontrei o meu espaço de paz pejado de flores simples, de cores leves e simples, aromas suaves e simples cobrindo o solo onde se deitam convidando-me a descansar.
Chegam vozes dos hemisférios celestes entoando cânticos que ressuscitam sentimentos nobres. Apoio a minha alma nos restos húmidos do amor e deixo-me ficar no cais do sol a ouvir a partitura da vida abrindo ainda uma pequena janela sobre o curto futuro que me resta.

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