EDITORIAL – O SEGUNDO RESGATE

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O segundo resgate parece inevitável. Passos Coelho já ameaçou com ele várias vezes e a afirmação de Rui Machete de que só com taxas de juro a 10 anos abaixo de 4,5% é que o conseguimos evitar provocou reacções de espanto e um desmentido de Paulo Portas. Mas vão a este link e ouçam a Constança Cunha e Sá:

http://www.tvi24.iol.pt/opiniao/constanca–constanca-cunha-e-sa-opiniao-comentario-rui-machete-tvi24/1508840-5339.html

Com a devida vénia e os nossos cumprimentos à Constança Cunha e Sá e á TVI24, pensamos que estamos perante uma evidência: vamos levar com o segundo resgate. A não ser que qualquer coisa mude, muito rápida e profundamente. O segundo resgate vai ser gravíssimo, pois Passos, Portas & Cia. entendem que a situação pura e simplesmente tem de ser tratada cortando ainda mais nos do costume, enquanto ainda houver um sopro de vida num  trabalhador e num reformado. O aspecto que Constança Cunha e Sá refere, sobre a promiscuidade entre o governo e a troika é fundamental: como, a qualquer nível se pode admitir? O resultado está a vista: procuram assustar-nos com o papão, mas vão preparando o terreno para o segundo resgate. Bem pode Paulo Portas fazer desmentidos, mas quem ainda acredita nele? Ao governo e à troika convém cada vez mais a conversa de que está tudo a correr bem, os outros (que somos nós) é que estão mal, gastam muito e trabalham pouco. O primeiro vai-se mantendo no poder e a segunda gaba-se, apesar de todos os sinais de catástrofe.

O facto é que apesar de todos as proclamações de melhorias, elas não estão a ocorrer. Nem podem, no actual sistema vigente. A balança comercial pode ter melhorado, mas a que preço? Qual o reflexo de factores como a baixa do custo do trabalho, e a redução do consumo interno nesse aumento das exportações? E que benefícios reais advieram dessa melhoria? Foram criados mais empregos? São questões, entre outras, que deveriam ser esclarecidas perante toda a gente, antes de se embandeirar em arco.

A questão da integração europeia é fundamental. Não faltarão burocratas em Bruxelas a relegar os problemas portugueses para segundo plano, não só porque o país é pequeno, mas por que também porque que poderão intervir aqui numa fase mais avançada da integração. Para já estão a preparar a integração bancária, como tem de ser num sistema capitalista puro e duro, como aquele em que vivemos. Sobre a situação que criaram a quem aqui vive, aos mais novos sugerem a emigração, quanto aos mais velhos ainda virão a fazer recomendações como as de Taro Aso, ministro das finanças japonês:

http://www.ionline.pt/artigos/mundo/velhos-tem-se-despachar-morrer-diz-ministro-japones

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