ESTA POLÍTICA ESTÁ A DESTRUIR O FUTURO DO PAÍS – Por EUGÉNIO ROSA

ESTA POLÍTICA ESTÁ A DESTRUIR O FUTURO DO PAÍS: – Entre o 3ºTrim.2012 e o 3ªTrim.2013 a população ativa diminui em 135 mil sendo 83,3% com idades entre os 15 e os 34 anos e, em 2013, o investimento em Portugal baixou para apenas 14,3% do PIB (UE28: 17,2% do PIB)

 

A principal fonte de riqueza de qualquer país são as pessoas, ou melhor, a sua capacidade para produzir e inovar. A politica deste governo e desta “troika”, para tranquilizar e obter o apoio dos “mercados”, que são dominados pelos grandes grupos financeiros, tem sido não só de lançar no desemprego centenas de milhares de portugueses mas também de “expulsar” do país muitos mais milhares, destruindo assim a principal fonte de criação de riqueza para além de generalizar o sofrimento e a humilhação. Os dados que o Instituto Nacional de Estatística acabou de publicar sobre a população e o emprego, referentes ao 3º Trimestre de 2013, revelam uma realidade preocupante que é normalmente ignorada em todas as análises centradas principalmente na situação a curto prazo, que fica clara com o quadro 1.

Destruição - I

Entre o 3º Trim.2012 e o 3º Trim.2013, ou seja, num ano apenas (o último ano), a população ativa portuguesa diminuiu em 2,4% (menos 135 mil indivíduos) e a população empregada reduziu-se em 2,2% (menos 102,7 mil indivíduos). Se a análise por feita por escalões etários conclui-se que, excetuando o escalão com mais de 65 anos por razões óbvias, é precisamente nos escalões de 15 a 24 anos e de 25 a 34 anos que se verifica a maior redução. Em relação à redução da população ativa total verificada neste período que atingiu 135 mil, 83,3%, ou seja, 112,5 mil pertencem àqueles dois escalões (15/24 e 25/34). Portanto, são de pessoas com idades entre os 15 e 34 anos que se verificam as maiores reduções (respetivamente, -9,2% e -5,4%). Em relação à população empregada total que diminui durante o mesmo período em 102,7 mil, 69,2 mil, ou seja, 67,3% tinham idade entre os 15 e 34 anos. A maior parte daquela redução de ativos de idade entre os 15 e 34 anos foram “expulsos” do país tendo sido obrigados a emigrar para o estrangeiro como consequência de uma politica que lhes nega não só o futuro mas o próprio presente. Perante tudo isto, as perguntas que naturalmente se colocam, e que merecem uma reflexão profunda são as seguintes: Que país poderá sobreviver com uma redução anual de 6,8% da sua população ativa com idades entre os 15 e 34 anos? Que futuro poderá ter um país que destrói desta forma a sua principal fonte de criação de riqueza e de inovação, e principalmente de idades com maior potencial, que moldaria e garantiria não só presente mas fundamentalmente o futuro? A falta de visão estratégica deste governo atrelado à “troika” é dramática para o país e para os portugueses.

A propaganda oficial tem referido muito a redução do desemprego verificada nos dois últimos trimestres. No entanto esquece-se de explicar por que razão isso acontece. Para além dos efeitos sazonais do turismo e agricultura, uma razão importante é a emigração maciça de jovens referida anteriormente, sendo a segunda o crescente desencorajamento de desempregados em procurar emprego que os dados do INE do quadro 2 revelam.

Destruição - II

Cansados de procurar emprego e de o não encontrarem, centenas de milhares de desempregados deixaram de o procurar como revelam os dados do INE constantes do quadro 2, sendo incluídos no grupo dos “desencorajados” (“inativos disponíveis que não procuram emprego”, na terminologia oficial). E este “desencorajamento” agravou-se no último trimestre como mostram também os dados do INE. Entre o 2º Trim.2012 e o 2º Trim.2013, o número de “desencorajados” aumentou de 249,2 mil para 306,7 mil (+57,5 mil), sendo 35 mil só no 3º Trim.2013. Estes portugueses desempregados que se cansaram de procurar emprego e, por isso, deixam de o fazer, não são considerados nos números oficiais de desemprego (306,7 mil no 3º Trimestre de 2013). É através da emigração macissa para o estrangeiro de ativos de idades com maiores potencialidades para produzir, e por meio do crescente número de “desencorajados”, que este governo e esta “troika” reduzem também o desemprego oficial com o qual a propaganda oficial tem procurado enganar a opinião pública.

A DESTRUIÇÃO DA CAPACIDADE PRODUTIVA HIPOTECA TAMBÉM O FUTURO DO PAÍS

Mas não é apenas em relação ao “capital humano” que este governo e esta “troika” estão a destruir o futuro do país. Essa destruição está a atingir de uma forma também dramática a sua capacidade produtiva material. Os dados sobre o investimento constantes do quadro 3, também do INE, mostram isso de uma forma clara:

Destruição - III

No período de 2011 ao 1º sem.2013, o investimento total no país (69.044 milhões € em 2,5 anos) representou apenas 16,5% do PIB, o valor mais baixo verificado no país após a revolução de Abril, já que, no período 1995/2000, ele atingiu 26% do PIB; no período 2001/2006 representou 24% do PIB, e no período 2007/2010, ou seja, depois de ter rebentado a grande crise financeira internacional, foi de 21,2%. Segundo o Eurostat, em 2013, a FBCF (investimento) em Portugal corresponderá apenas a 14,3% do PIB, quando a média na UE28 é de 17,2%. Com este volume de investimento Portugal atrasar-se-à ainda mais em relação à UE28, ficando também impossibilitado de aumentar, renovar e modernizar a sua estrutura produtiva (PIB potencial), para poder desenvolver-se no futuro. Para tornar ainda mais claro os efeitos negativos da política recessiva, interessa referir que se a taxa de investimento, medida em percentagem do PIB, tivesse sido igual à do período 1995/2000 – 26% – o país, no período 2011/1ºsem.2013, teria investido mais 39,427 milhões €; se a taxa fosse a do periodo 2001/2006 – 24% – o investimento realizado teria sido superior em 31.371 milhões €; e, finalmente, se a taxa de investimento no período 2011/1º sem.2013 tivesse sido igual à do período 2007/2010 – 21,2% -ter-se-ia investido mais 19.579 milhões €. Torna-se assim claro que a politica imposta pelo governo PSD/CDS e “troika”, para gáudio dos credores, está não só a destruir a capacidade produtiva atual do país mas também a sua capacidade futura para recuperar e se desenvolver. É certamente o período mais negro da história após o 25 de Abril que Portugal e os portugueses estão a viver que urge por cobro.

Eugénio Rosa, Economista, edr2@netcabo.pt . 11-11-2013

CONVITE – No dia 4-12-2013, às 18H15 no Auditório do Montepio na Rua Áurea, 219, 6º andar, em Lisboa terá lugar o lançamento do livro “GRUPOS ECONÓMICOS E DESENVOLVIMENTO EM PORTUGAL NO CONTEXTO DA GLOBALIZAÇÃO”, que tem como base a tese que defendi no ISEG. Como a análise e os dados do livro mostram a economia e a sociedade portuguesa, e o poder politico em Portugal são dominados pelos grupos económicos, a maioria deles controlado por grupos estrangeiros, e todo o processo de crescimento económico e desenvolvimento em Portugal é condicionado pelos grupos económicos. A apresentação será feita pelo Prof. João Ferreira do Amaral. Teria muito prazer se pudesse estar presente e agradecia que convidasse outras pessoas interessadas no tema do livro.

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