POESIA AO AMANHECER – 321 – por Manuel Simões

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                                     ANTÓNIO CARDOSO

                                         ( 1933 – 2006 )

            ÁRVORE DE FRUTOS

            Cheiras ao cajú da minha infância

            e tens a cor do barro vermelho molhado

            de antigamente;

            há sabor a manga a escorrer-te da boca

            e dureza de maboque a saltar-te nos seios.

 

            Misturo-te com a terra vermelha

            e com as noites

            de histórias antigas

            ouvidas há muito.

 

            No teu corpo

            sons antigos dos batuques à minha porta,

            com que me provocas,

            enchem-me o cérebro de fogo incontido.

 

            Amor és o sonho feito carne

            do meu bairro antigo do musseque!

            (de “Poemas de Circunstância”)

Antes da independência, foi preso várias vezes, a última das quais no Tarrafal, donde saiu em Maio de 1974. Colaborou em várias publicações como “Estudante”, “Mensagem” (Luanda), “Mensagem” (CEI), “Cultura-II”. Publicou “Poemas de Circunstância” (CEI, 1961) e foi antologiado num caderno colectivo das Ed. Imbondeiro (1961).

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