EDITORIAL – Um novo partido ou mais uma fisga?

Imagem2Há entre nós quem pense que as estruturas sociopolíticas que nasceram ou se reformularam após a Comuna de 1870/71, são inadequadas ao actual estado e equilíbrio de forças da luta de classes – a começar neste conceito – luta de classes. O acesso que os trabalhadores actualmente têm aos bens de consumo e também à formação e à informação (mesmo que teóricos), diluem aquilo que foi definido como consciência de classe e que consiste na compreensão por parte dos trabalhadores dos laços solidários que os unem entre si, da necessidade permanente de lutar contra a exploração capitalista.

Estas e outras expressões fazem sorrir a maioria das pessoas, mesmo aquelas que são o correspondente ao proletariado do século XIX. Nesta diluição da consciência de classe, a chamada comunicação social tem assumido um papel de importância decisiva. Mesmo pessoas com cultura política evitam empregar esta terminologia desgastada por século e meio de uso. Classe média baixa soa melhor do que pequena-burguesia. No entanto os trabalhadores por conta de outrem, tal como os proletários do século XIX, continuam a organizar-se em partidos e a fazer greves. Ou seja, usam armas de há dois séculos atrás contra uma parafernália sofisticada – a comunicação social, com a televisão à cabeça, desconstrói qualquer veleidade de consciência da exploração, das assimetrias desumanas que caracterizam a nossa época.

Não estamos a inventar nada de novo, muitos sociólogos e politólogos puseram já em causa os meios de luta que podem conduzir à transformaçãoImagem3 do mundo de que falava Karl Marx. Transformar o mundo requer uma imaginação que não se compadece com rotinas. Os capitalistas (empresários) transformaram um mundo que é de todos os que o habitam, no seu mundo. É a fisga contra o míssil, a locomotiva a vapor tentando superar o TGV, os sinais de fumo em luta com as novas tecnologias da informação… Democracia, governo do povo? Pois. Só falta definir o que se entende por povo. O “povo” dos grandes financeiros, dos banqueiros, dos detentores das corporações de informação, contrata pastores que levam as ovelhas a pastar onde convém. “Democraticamente”, claro.

Um novo partido? Mais uma fisga?

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