ALEMANHA – UM RECORDE DE EXPORTAÇÕES E DE POBREZA, por THOMAS SCHNEE

Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota

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Depois da nossa peça sobre Falemos de política económica actual, falemos então de putas, recebemos no dia 15 de Novembro um artigo enviado por Philippe Murer, do Forum démocratique, artigo este directamente relacionado com um   dos pontos abordados na referida peça, os dinamismos na Alemanha. Dinamismo nas exportações, dinamismo no ampliar da pobreza, igualmente. E o título dá a entender que o seu artigo terá sido incentivado pela mesma peça de  Peter Whal em que este economista nos enviou os dados alemães, mas para quem sabia alemão, o que não é, de todo,  o nosso caso.

Coimbra, 16 de Novembro de 2013

Júlio Marques Mota

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Alemanha: um recorde de exportações e de … pobreza

THOMAS SCHNEE

Texto enviado por Philippe Murer, do  Forum démocratique e da Association Manifeste pour un Débat sur le Libre Échange

Não nos devemos  esquecer que se a Alemanha acaba de registar  um novo recorde histórico no valor das suas  exportações,  não é menos verdade que  o nível de pobreza além  Reno, vai também de crescendo em crescendo.

Thomas Schnee - I Angela Merkel, chanceler alemã  – Markus Schreiber/AP/SIPA

A balança comercial alemã teve  um excedente de 20,4 mil milhões de euros em Setembro de 2013. O anterior recorde, estabelecido em Junho  de 2008 era  de 19,4 mil milhões de euros. Estes resultados não vão deixar de  relançar o debate sobre a estratégia da Alemanha a quem não se pode  culpar pela sua  velha e lucrativa especialização em bens de equipamento industrial de alta qualidade e de topo de gama mas que continua a defender o seu importante sector de emprego a baixos salários e que muito pouco investiu nas suas  infra-estruturas nos últimos anos.

Esta situação ainda pesa sobre as importações e o consumo interno . No mês de Setembro de 2013, comparando com o mês de Agosto do mesmo ano, as exportações  aumentaram de 1,7%, enquanto as importações diminuíram de 1,9%. Quanto ao consumo interno este está a  progredir muito  lentamente.

Uma comparação interessante, embora já um pouco   antiga , mostra  que em 2009 as despesas dos alemães  tinham aumentado em 13% em relação a 1995, contra uma variação de 37% para os franceses, de 45% para os britânicos e de 47% para os espanhóis. Os EUA e a Comissão Europeia acabam, aliás, de criticar  fortemente a Alemanha para esta política que, segundo eles, continua a acentuar os desequilíbrios na zona euro.

RECORDE DE POBREZA E DE SOBRE ENDIVIDAMENTO

Para os alemães, tudo isso conduziu para um  aprofundamento da fractura  social. O organismo  federal de estatísticas publicou recentemente os últimos dados disponíveis sobre a  pobreza. Em 2011, 1 alemão em cada 6 ou 13 milhões de pessoas, vivem abaixo do limite de pobreza  (rendimento  inferior a 60% do rendimento mediano nacional, ou cerca de 980 euros brutos por mês por pessoa ). A proporção, portanto, passou assim de  15,8% da população em 2010 para 16,1 por cento em 2011.

Germany Europe Financial Crisis ProtestChancelaria alemã, Verão de  2013: a campanha  « Tax against poverty » exige que os dirigentes europeus se confrontem com a pobreza crescente na Europa © Markus Schreiber/AP/SIPA

Além disso, o principal grupo alemão de empresas de cobrança de dívidas na Alemanha  Creditreform, que publica regularmente estatísticas sobre o endividamento dos  alemães, no seu  Atlas do endividamento de  2013, precisa que  9,81% dos  adultos alemães está endividado, o que representa 6,58 milhões ( contra 6,59 milhões em 2012).

 Ver mais em:

 http://www.marianne.net/Allemagne-record-d-exportations-et-de-pauvrete_a233631.html

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