Ontem o Parlamento Europeu aprovou, por larga maioria, o Quadro Financeiro Plurianual para 2014-2020. Foi muito saudada a aprovação deste quadro. Mas tem sido pouco referido um aspecto muito importante para Portugal: para além de cortes de 10% em relação ao Quadro Financeiro anterior, este agora aprovado introduz novas regras que permitem suspender o acesso aos fundos estruturais aos países que não cumpram as metas exigidas para o défice orçamental e a dívida pública. Portugal deveria receber daqueles fundos qualquer coisa como 27,8 mil milhões de euros. Deste modo, até essa ajuda fica ameaçada.
Qualquer pessoa minimamente informada sabe das dificuldades que o nosso país tem sentido em atingir aquelas metas, e mais: essas dificuldades devem-se a razões que transcendem em grande parte Portugal e os portugueses. Têm sido muito explicados os efeitos da concorrência alemã sobre os países da zona euro e da União Europeia, e tem sido muito dito que com as políticas de austeridade impostas não há possibilidade de se alterar o caminho recessivo em que entraram as economias da maioria dos países europeus, nomeadamente as dos chamados países periféricos. Como explicar então que o referido Quadro Financeiro Plurianual tenha sido aprovado com 537 votos favoráveis, da direita e dos socialistas, e 126 contra, dos verdes e da esquerda radical, com 19 abstenções? Os deputados portugueses da direita e socialistas votaram favoravelmente, com a excepção de Elisa Ferreira, que não esteve presente. Poderão é claro, fazer-se muitos comentários. Pomos uma questão apenas: só os verdes e a chamada esquerda radical é que vêem por onde andam? Pois é. Os fundos estruturais constituem uma das poucas hipóteses de financiamento existentes, fora dos fabulosos mercados, por um lado. Por outro, todos sabem que as metas para o défice e a dívida pública são inatingíveis a um país como o nosso, ainda mais a suportar políticas de austeridade a causar recessão. Mesmo os antieuropeístas mais acirrados percebem o erro colossal desta aprovação.
Mas também é interessante o grau de informação sobre esta matéria. Melhor dito, de falta de informação. Se percorrermos a imprensa, ligarmos a televisão e a rádio, não é fácil encontrar referências a este assunto, nomeadamente à parte do que acontece a quem não cumpre as metas. Ora vejam com os vossos olhos:
http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2013/11/19de 10f.htm
Os dois últimos órgãos citados sempre vão dizendo qualquer coisa. Pena é que não sejam muito lidos, ao que sabemos. Não temos a pretensão de dar lições a ninguém, mas permitimo-nos opinar que este assunto merece melhor tratamento, a começar pela grande informação. Por entre as notícias sobre o apuramento para o mundial de futebol, e outras similares (que merecem ser notícias, com certeza) deveria haver mais espaço para informar sobre matéria. É verdade que o futebol continua a ser usado para fazer esquecer os grandes males que nos afligem. Tal como noutros tempos… Quem se lembra do mundial de 1966? Por entre as brumas da memória…

