Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 135 – por Manuela Degerine

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S. Bento da Porta Aberta

No fim de contas, se me doer o joelho, posso pedir boleia, porquanto o Caminho passa, de vez em quando, pela beira da estrada. (Basta tal possibilidade para me acalmar a inquietação.) Chego ao lugar onde há dois anos os suecos me vieram apanhar e, pela primeira vez desde que sigo o Caminho de Santiago, não vejo estas giestas em flor: a primavera tem sido fria. Em contrapartida há por toda a região água e mais água, bicas, poças, açudes, fontes, tanques, regatos, ribeiras, pântanos, levadas, lavadouros… Portanto muito feto, muito musgo, muito líquen. E muita lama. Aproveito aqui e além os poisos não inundados, não verdes de algas, para largar a mochila, quando mais não seja, durante cinco minutos. Avanço lentamente.

Paro junto de um terreno com galos, frangos, galinhas, patos, gansos à solta, mais de quarenta, número aproximado por a bicharada não querer parar para a contagem, o dono lança-lhes folhas de couve acabadas de apanhar: correm todos à compita. Os ruivos. Os brancos. Os riscados. Os cinzentos com bico cor de laranja. Os pretos com crista e pescoço vermelhos. Tão bonitos como aves de estimação.

Chego a S. Bento da Porta Aberta. Já caminhei sete quilómetros? Restam os mais compridos, os onze que parecem quarenta, os que nos metem um cadáver na mochila, aqueles nos quais as ciáticas, as tendinites e os lumbagos se embuscam… No ano passado eu acompanhava nesta etapa os franceses, Brigitte corria à frente, Yves fazia-lhe companhia, Michel e eu seguíamos na conversa e, quando aqui chegámos, não vimos a seta amarela, escondida atrás de uma carrinha, prosseguimos pela beira da estrada, só um quilómetro mais abaixo invertemos o sentido da marcha, virámos aqui onde devíamos, acelerámos para recuperar o atraso, avistámos por fim – sentados à nossa espera – Yves e Brigitte porém esta, logo que aparecemos, recomeçou a caminhar, portanto nestas e noutras circunstâncias entre Rubiães e Valença nunca parei… Não admira que chegasse ao albergue com uma tendinite.

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