EDITORIAL – UM CRAQUE PARISIENSE (mas que não faz parte do plantel do Paris Saint-Germain)

Imagem2Foi no dia 21 de Novembro, mas de 1694, que nasceu em Paris François Marie Arouet . O pequeno François Marie passou à história com o nome de Voltaire e seria um dos grandes vultos do chamado século das luzes , marcando indelevelmente a história do pensamento europeu da sua época, constituindo um elo imperdível de uma cadeia que liga as trevas da ignorância ao clarão cegante do conhecimento.

Filósofo que se tornou conhecido fora do território da Filosofia, defendeu a liberdade de religião e as liberdades básicas da cidadania. Muito do que nasceu no seu cérebro se transformou em acção, quer na Revolução que deu lugar aos Estados Unidos, quer na Grande Revolução de 1789. As sete dezenas de obras que nos legou – ensaios científicos e históricos, poemas, romances, dramas teatrais, constituíram munições da inteligência contra as muralhas do egoísmo feroz, que as famílias nobres e as igrejas erguiam contra a liberdade de expressão e contra os direitos básicos que assistem aos seres humanos só pelo facto de haverem nascido. Golos da inteligência, marcados nas balizas da indigência mental.

 Nobreza e clero, sobretudo os reis absolutos e principalmente a hierarquia da Igreja de Roma, foram o alvo preferencial das suas críticas. Numa época de repressão e censura feroz, ele ergueu a sua pena em defesa da Reforma Social, sofrendo por duas vezes as agruras do cárcere e escapando a piores castigos ao optar pelo exílio.

Biografar Voltaire não é a nossa intenção. Porém, olhando os títulos dos jornais de hoje, ainda dominados pelo hat trick de Cristiano Ronaldo e ensombrados por notícias menos indolores, como a que nos diz que meio milhão de crianças portuguesas deixaram de receber abono de família nos últimos três anos, lembrámo-nos deste craque que faria hoje 319 anos se fosse vivo. No seu poema sobre o grande terramoto de Lisboa, disse: Un jour, tout sera bien, voilà notre espérance. Tout est bien aujourd’hui, voilà l’illusion.

E, podeis crer, a nossa maior esperança não é a de que a equipa portuguesa vença o Mundial de futebol, mas sim a de que deixe de haver crianças com carências alimentares. E longe de nós a ilusão de que o hat trick de Cristiano faça com que tudo esteja bem. A comunicação social bem se esforça…

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