EDITORIAL – SALVEM O ÁRCTICO!

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Parece que os 30 militantes do Greenpeace detidos na Rússia estão a ser libertados aos poucos, sob caução. Vamos a ver como vai continuar este processo. Recordamos que ele começou em 18 de Setembro último, quando alguns activistas da organização, saídos do barco Arctic Sunrise, abordaram a plataforma de exploração petrolífera de Prirazlomnaya, da Gazprom, situada no mar de Pechora, a sul das ilhas de  Nova Zembla, no oceano Árctico. Na altura foram aprisionados pela guarda costeira russa, e o barco apreendido. Tem estado a ocorrer um protesto internacional contra a prisão dos 30 militantes detidos, e a Rússia parece querer ceder, pelo menos em parte. Terá abdicado, pelo menos em relação a alguns dos detidos, da acusação de pirataria, mas quer manter a de vandalismo.

Será de considerar que este caso ofuscou um tanto os sucessos diplomáticos conseguidos pelo governo Putin com o caso Snowden e o recuo ocidental em relação a uma intervenção militar na Síria. E é óbvio que estamos ainda a assistir ao início de uma longa questão, que vai ultrapassar em muito o episódio da detenção dos 30 do Árctico. Sobre estes há apenas a dizer que, no mínimo, têm o mérito de terem trazido para a luz do dia uma questão gravíssima, que é a da necessidade de defender o ambiente no Árctico. É preciso ter presente que a plataforma de Prirazlomnaya será a primeira a entrar em funcionamento no Árctico, e que ninguém, nenhum estado, nenhuma companhia petrolífera, possui os conhecimentos e os meios necessários para reparar os estragos que poderão ser causados por um derrame petrolífero numa zona tão longínqua, de clima tão rigoroso, situada a cerca de 70º de latitude norte. Recorde-se a propósito o desastre do Exxon Valdez, em 1989, no Alasca, em que ocorreu o derrame de mais de 250.000 barris de petróleo no oceano, estando ainda hoje por reparar os resultados desta catástrofe.

As alterações climáticas fazem-se sentir no Árctico, mas é necessário reforçar ali, como noutros lados, a defesa do ambiente e da biodiversidade. É intenção generalizada intensificar ali a actividade económica, para compensar as limitações que se sentem ao nível global. A pesquisa de petróleo, com grande impacto, é verdade, é um caso entre outros. Saliente-se que, com o degelo, haverá a possibilidade de navegar regularmente no Árctico, calculando-se que um barco saído de um porto chinês ou japonês poderá, atravessando o estreito de Behring, navegando ao longo da costa da Sibéria, atingir Murmansk ou a costa da Noruega, em alternativa a navegar pela rota do Suez ou pelo Cabo da Boa Esperança,  até Marselha ou outro porto do sul da Europa. Pense-se nos efeitos que daqui poderão advir, por exemplo, para com os projectos relacionados com o porto de Sines.

É de dar todo o apoio à libertação dos 30 do Árctico. Com a sua valentia, chamaram a atenção para esta situação gravíssima, de interesse primordial para a vida da população de todo o mundo. Entretanto, parece que a Shell quer também voltar a tentar fazer perfurações no Árctico, para além da Gazprom. As duas terão com certeza concorrentes de peso. Pois as actividades naquele oceano e terras vizinhas podem proporcionar grandes lucros. Mas podem causar enormes prejuízos ao ambiente e á vida de todos nós.

1 Comment

  1. Até quando essa cegueira em relação ao aquecimento global?
    Precisamos, sim, João Manuel, dar todo o apoio ao Greenpeace e aos que se arriscam e denunciam a
    ganância estúpida do sistema suicida que domina o mundo.
    abraço solidário
    Rachel Gutiérrez

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