Nota prévia:
Para ouvir os temas de Lucília do Carmo, há que aceder à página
http://nossaradio.blogspot.pt/2013/11/celebrando-lucilia-do-carmo.html
e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.
Lucília do Carmo faleceu a 19 de Novembro de 1998, fez há dias quinze anos. Oportunidade para o nosso blogue a homenagear apresentando uma mão-cheia dos mais belos espécimes do seu repertório.
Naquela Azenha Velhinha
Letra e música: Frederico de Brito
Intérprete: Lucília do Carmo* (in EP “Lucília do Carmo”(“Naquela Azenha Velhinha”), Decca/VC, 1960; 2LP/CD “O Melhor de Lucília do Carmo”, EMI-VC, 1990; CD “Lucília do Carmo”, col.
Biografias do Fado, EMI-VC, 1998; CD “O Melhor de Lucília do Carmo”, Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)
Aquela azenha velhinha,
Na margem da ribeirinha
Que por vales serpenteia,
Foi testemunha impassível
Da tragédia mais horrível
Que houvera na minha aldeia.
Era uma tarde de inverno
O céu parecia um inferno,
Estavam os astros em guerra;
A ribeira mal sustinha
A grande cheia que vinha
Pelas vertentes da serra.
Vendo a ribeira a subir,
O moleiro quis fugir
Levando o filho nos braços
Pela ponte carcomida
Já velhinha e ressequida
A desfazer-se em pedaços.
Mas ai, a ponte quebrou-se
E o moleiro, como fosse
Na cheia da ribeirinha,
Levou o filho consigo;
E nunca mais moeu trigo
Aquela azenha velhinha.
* Jaime Santos – guitarra portuguesa ,Martinho d’Assunção – viola, Gravado no Teatro Taborda, Costa do Castelo (Lisboa), em Maio de 1960
Técnico de som – Hugo Ribeiro,
Bons Dias, Menino
Letra: Júlio de Sousa
Música: Mário Moniz Pereira
Intérprete: Lucília do Carmo* (in LP “Lucília do Carmo”,
Trova, 1978, reed. Fatum/UPAV, 1992, Universal, 2003)
[instrumental]
Menino, menino
Tens olhos de sono
Menino tão fino
Cãozinho sem dono
Bons dias, menino
Aceita, são meus
Àquele menino
Ninguém diz adeus
Ninguém diz adeus
De manhã, muito cedinho
Do outro lado da estrada
Anda um menino magrinho
De mala gorda e pesada
Nervoso, triste e alheio
Vai e vem sem descansar
Dá pontapés no passeio
Na bola do seu pensar
Menino, menino
Tens olhos de sono
Menino tão fino
Cãozinho sem dono
Bons dias, menino
Aceita, são meus
Àquele menino
Ninguém diz adeus
Ninguém diz adeus
Lá vem o carro atrasado
P’ra o colégio onde o meteram
Querem vê-lo bem formado
Nas formas que não lhe deram
Olho as janelas em frente
Não vejo os braços da mãe
Dorme regaladamente
Nos braços não sei de quem
Menino, menino
Tens olhos de sono
Menino tão fino
Cãozinho sem dono
Bons dias, menino
Aceita, são meus
Àquele menino
Ninguém diz adeus
Ninguém diz adeus
[instrumental]
Bons dias, menino
Aceita, são meus
Àquele menino
Ninguém diz adeus
Àquele menino
Só eu digo adeus
* António Chainho – 1.ª e 2.ª guitarras portuguesas, Martinho d’Assunção – viola, José Maria Nóbrega – viola baixo, Técnico de som – José Manuel Fortes, Mistura – Luís Alcobia
Olhos Garotos
Letra: João Linhares Barbosa, Música: Jaime Santos
Intérprete: Lucília do Carmo* (in EP “Olhos Garotos”,Decca/VC, 1958; 2LP/CD “O Melhor de Lucília do Carmo”, EMI-VC, 1990;CD “Lucília do Carmo”, col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1998; CD “O Melhor de Lucília do Carmo”, Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)
Diz aos teus olhos garotos,
Vivos, marotos,
Pretos, rasgados,
Que não andem p’las esquinas
Feitos traquinas
E malcriados.
Que não sigam as meninas
Simples, ladinas
Dos olhos meus;
De tudo acho capazes
Os maus rapazes
Dos olhos teus.
Teus olhos amendoados
São comparados
A dois cachopos
Que quando topam meninas
P’las esquinas
Dizem piropos.
É preciso que lhes digas
Que as raparigas
Nem todas são
Como as pedras que há nas ruas,
Gastas e nuas,
Sem coração.
Diz-lhes tudo sem ralhar,
Sem te zangar,
Tem mil cuidados;
Sim, que para entristecê-los
Prefiro vê-los
Nos seus pecados.
Não quero os teus lindos olhos
Correndo abrolhos;
Livre-nos Deus
Que causassem tais ruínas
Estas meninas
Dos olhos meus.
(Continua)
