O Senado italiano expulsou Berlusconi ontem. Será que a Itália vai conseguir ver-se livre dele? Será que vamos conseguir livrar-nos dele? A sentença faz que com que ele não possa voltar a ocupar cargos públicos. Contudo é óbvio que ele vai continuar a intervir na política. Pesam sobre ele outras acusações criminais, como a do caso Rubigate e a acusação de tentativa de comprar o voto de outro senador. Para se defender vai continuar a mobilizar os seus apoiantes, que continuam a ser numerosos. A Forza Italia (nome de uma claque de futebol) continua a ter muitos apoiantes, e o seu líder continuará a tentar interferir na política italiana e europeia.
Mas o mais espantoso não é o homem de 77 anos, que continua a manter-se à tona de água, declarando que os processos em tribunal derivam de perseguições políticas, e que as liberdades e a Itália estão em perigo. O mais espantoso é como tanta gente ainda acredita nele e o segue. Num editorial de Le Monde, ontem, assinado por Philippe Ridet, dizia-se que o problema maior não é o próprio Berlusconi, mas sim aqueles que “apesar das decepções, das reformas falhadas, dos projectos abortados, continuam a votar nele. Nesta altura, do que a Itália tem necessidade não é de politólogos, mas muito claramente de etnólogos”. Leiam:
http://italie.blog.lemonde.fr/2013/11/27/litalie-sans-berlusconi/
Temos que reconhecer que é a pura verdade. E o problema não é, de modo nenhum, exclusivamente italiano. Vejam o que se passa no nosso país. Como é possível que as pessoas continuem a votar em certas pessoas (algumas delas verdadeiros berlusconis em miniatura) e nos partidos de sempre, apesar das péssimas provas dadas? Razão tem Philippe Ridet. O problema principal somos nós, não as pessoas dos tiranetes em que votamos. Ou em que deixamos de votar, quando viramos as costas à realidade, sem cuidar de trabalhar numa alternativa.

