PAULA TAVARES
( 1952 )
A MANGA
Fruta do paraíso
companheira dos deuses
as mãos
tiram-lhe a pele
dúctil
como se de mantos
se tratasse
surge a carne chegadinha
fio a fio
ao coração:
leve
morno
mastigável
o cheiro permanece
para que a encontrem
os meninos
pelo faro.
Luanda, 84.


Que bonito e que alegria saber que em algum lugar a poesia
se mantém próxima da terra, da Mãe Terra.
Obrigada, Manuel Simões, pelo belo poema de Paula Tavares, cujos títulos já são pura
poesia.
Rachel Gutiérrez