EDITORIAL – Miguel de Vasconcelos reabilitado

Imagem2Ouvimos, numa gravação de circunstância, os três hinos mais significativos de Portugal – o Hino da Maria da Fonte, que nos lembra o direito sagrado à insurreição armada quando outro recurso não haja, o Hino da Restauração, que nos recorda o dever de defender a independência nacional sempre que se encontre ameaçada e, finalmente, o Hino Nacional, que nos afirma o respeito pela República e a recusa de ter como supremo magistrado da Nação um qualquer «ungido por Deus».

A essa cadeira do poder, que não ao trono, têm ascendido, desde 1910, pessoas dignas e outras menos dignas, grandes homens e outros de baixa estatura moral. Estes últimos, não são ungidos por Deus, mas são-nos impostos pelos vícios de um sistema que, dito de «democracia representativa», mais não é do que uma ditadura de uma oligarquia mafiosa a soldo de interesses estranhos ao interesse do povo português. Gente sem honra e sem dignidade, sem respeito pelos valores da democracia e da independência, gente que, ao eliminar feriados nacionais, conserva datas do calendário litúrgico e sacrifica dias como o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro.

Miguel de Vasconcelos e Brito, no quadro da independência formal que se conservou, era secretário de Estado da duquesa de Mântua, vice-Rainha de Portugal, que representava o rei Filipe IV (III de Portugal). Secretário de Estado era o cargo equivalente ao de primeiro-ministro. Na insurreição de 1 de Dezembro de 1640, foi o alvo preferencial dos conjurados que, ao descobri-lo escondido, o arrojaram ao povo. O seu cadáver ficou exposto aos cães.

Hoje, Miguel de Vasconcelos e Brito, ao ser afastado do cargo de chefe do Governo, seria nomeado administrador de um banco. E a duquesa de Mântua iria para um lugar importante em Bruxelas ou na ONU.

Outros tempos, outros miguéis, outros conjurados…

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