Do Brasil, da nossa colaboradora Rachel Gutierrez, recebemos um video delicioso que me deixou a pensar.
Trata-se da declamação de um poema, de seu nome “O Monólogo das Mãos”, pela atriz Bibbi Ferreira e de autoria de Giuseppe Ghiaroni. Bibi Ferreira tinha na altura 90 anos (hoje 91), o que nos encanta mais pela vivacidade e força que consegue transmitir. Sobre ela muito haveria a dizer mas não é esse o objectivo desta reflexão. O poema em causa é de autoria do jornalista, roteirista e escritor Giuseppe Ghiaroni. Mas agora, ouçamos o poema que diz tudo, sendo impossível mais acrescentar.
Tudo isto me fez pensar como vivem, nos hábitos diários que cada um de nós necessita fazer, se deslocam, se relacionam, como afagam quem amam… E apeteceu-me falar de três situações mais ou menos conhecidas de todos nós.
Os pintores sem mãos:
Do site da “ Associação dos Pintores com a Boca e os Pés”, pudemos retirar umas informações: ”fundada em 1956, tem providenciado, por mais de 50 anos, uma vida independente para artistas que não têm o uso de suas mãos, todos são beneficiados com a satisfação em poder ganhar seu próprio sustento, independente de caridade. Tem mais de 500 membros em mais de 70 países. Em Portugal está sediada nas Caldas da Rainha.
É um lema dos artistas da Associação do Pintores com a Boca e os Pés: “Todos os artistas recusam caridade, preferindo reter seu respeito próprio competindo em termos iguais com artistas normais.”
Uma das artistas portuguesas mais conhecidas é Maria de Lurdes Oliveira que nasceu em Lisboa em 1949, já sem braços. Incentivada pela mãe desde bebé a fazer com os pés tudo o que costumamos ensinar as crianças a fazer com as mãos, habitua-se a fazer tudo sozinha sem depender de terceiros. Na escola primária a professora descobre-lhe o talento artístico ao vê-la desenhar com o pé esquerdo, talento que se traduz também na facilidade com que aprende a coser e a bordar na perfeição. Hoje em dia Maria de Lurdes é uma mulher profissionalmente realizada que vive do seu trabalho, a pintura.
Mas também podemos observar como se pode tocar música:
E quando se trata de uma mulher que deseja ter filhos. Fisiologicamente pode concebe-los. E depois, como consegue cuidar deles? Esta é a situação que mais me impressiona, por saber quando é importante o afago físico. Mas também sei que a raça humana encontra alternativas para superar as adversidades físicas, quando as psíquicas se encontram em boas condições. E vejamos este caso.
E mais este:
E o caso deste homem que dedicou a sua vida a mostrar, a quem o queira ouvir, que se pode ser feliz quando se quer ser feliz.