RIQUEZAS QUÍMICAS… por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

Em 1876 os Verde fogem do centro da capital, mudam-se para a Rua das Trinas. No mesmo ano o Dr. Sousa Martins avisa Silva Pinto:

– O poeta Cesário Verde está irremediavelmente perdido.

Em 1877 Cesário queixa-se:

– Agora trago sempre no pescoço umas escrófulas que se alastram, que se multiplicam depressa. Não sei se é resultado sifilítico, se o que é.

Em 1882 morre, tuberculoso, Joaquim Tomás, irmão de Cesário. Como dez anos antes morrera Maria Júlia… E ele então escrevera:

(…)
Uma tuberculose abria-lhe cavernas!
Dá-me rebates ainda o seu tossir profundo!
E eu sempre lembrarei, triste, as palavras ternas
Com que se despediu de todos e do mundo!
(…)

Pobre da minha geração exangue
De ricos! Antes, como os abrutados,
Andar com os sapatos ensebados
E ter riquezas químicas no sangue.
(…)

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