Mas as vozes da América remexem-me a alma e os nervos
e Robeson e Marian cantam para mim,
spirituals negros de Harlem,
«Let my people go»
– oh deixa passar o meu povo,
deixa passar o meu povo! –
dizem.
E eu abro os olhos e já não posso dormir.
(…)
E enquanto me vierem de Harlem
vozes de lamentação
e meus vultos familiares me visitarem
em longas noites de insónia,
não poderei deixar-me embalar pela música fútil
das valsas de Strauss.
Escreverei, escreverei,
com Robeson e Marian gritando comigo:
«Let my people go»
OH, DEIXA PASSAR O MEU POVO.
(de “Resistência Africana”)
A sua poesia parece reflectir a do antilhano Aimé Césaire. Divulgou a sua obra por jornais de Moçambique, Angola, Portugal e Brasil. Colaborou em “Mensagem”(CEI), “Mensagem” (Luanda), “Notícias do Bloqueio”, “Brado Africano”. Em 2001 a Associação de Escritores de Moçambique publicou-lhe “Sangue Negro”, que reúne a poesia de 1949-1951.